IEI 7 (Imortalidade)

By Paralelo

Imortais Transumanistas x Mortais Conformados
(Diego, Paralelo & Vitor contra Pierre & CD)

A morte é certa?

Diego, Vitor e eu pensamos que há esperança tecnológica para escapar dela. E se for preciso alterar o código genético pra isso, se for preciso transferir a consciência para um HD, se for preciso se tornar um ciborgue – em suma, se for preciso ir “além da condição humana” (aí o transumanismo), então que seja! Morrer, nem pensar.

Muitas pessoas, sobretudo as religiosas, vêem nisso um absurdo anti-ético: “fomos feitos para morrer e ponto final”. O CD e o Pierre não têm quaisquer críticas morais desse teor a fazer. Eles apenas não são tão otimistas a ponto de achar que vale à pena se dedicar em nome da possibilidade de a tecnologia superar a morte: se é que ela conseguirá isto, quase certamente (ou mesmo certamente!) não será em nossas vidas, por mais que consigamos viver 150 anos com o estilo de vida mais saudável jamais concebido. Então, não vale o esforço.

Na verdade, o Pierre e o CD não têm sequer esse ceticismo firme. Eles têm mente aberta para considerar ao menos plausível a superação da morte. Bem, eles só foram enquadrados como “mortais conformados” para animar a festa!

Interessante foi a visão futurista do Diego: se em 50 anos tivermos acesso a uma tecnologia anti-morte, isto justifica que passemos 200 anos escondidos num abrigo, a salvo de fanáticos religiosos ansiosos por nos matar em nome de Deus e da “ordem natural” – supondo que os fanáticos morressem e fossem substituídos por gerações mais esclarecidas, este tédio de 200 anos nos garantiria os próximos 200 mil!

Sendo tão otimista, é surpresa que o Diego nos considere – os humanos imortais, se acontecermos – incapazes de atravessar a morte térmica do Universo, a ocorrer dentro alguns bilhões de anos. “É impossível”, diz ele, “daí não passamos!”. Todos os outros participantes, em especial o CD, preferem racionar assim: “Teremos centenas de bilhões de anos para resolver o problema? Até lá damos algum jeito!”.

4 Respostas para “IEI 7 (Imortalidade)”

  1. Jonatas Disse:

    Pessoalmente vejo a superação da morte como algo importante somente na medida em que contribua à utilidade, no que a preservação da juventude é beneficial à saúde e bem-estar, potencial cognitivo e aprendizado, talvez às custas da renovação e originalidade mentais, não vejo a vida eterna como uma finalidade.

    O potencial do transhumanismo no que trata de resolver problemas para mim está no aumento da inteligência, a capacidade humana de criar a evolução e melhorar suas condições, levando à redução do sofrimento e das catástrofes humanas, tornando nossa vida mais interessante, prazerosa e humana.

  2. Diego Disse:

    É importante lembrar que quando aumentamos nossas capacidades cognitivas, aumentamos nossa possibilidade de mudar, então somos jovens para sempre, e não é necessário que uma geração substitua sua antecessora, como ocorre hoje.

  3. Paralelo Disse:

    É impressão minha, Jonatas, ou você parece conceber que morrer, pessoalmente, talvez seja algo bom “para as gerações futuras e a espécie como um todo”?

  4. Jonatas Disse:

    Sim, acho que há uma grande utilidade no ciclo de vida e morte (mas vejo também aquilo em que ele é desvantajoso).

    1. A parte inicial ou infantil e adolescente da vida é bastante vista como a melhor parte, e isso é acertado de um ponto de vista psicosomático: a criança tem menos inibições e aproveita uma saúde psicológica quase perfeita, que se traduz em um bem estar e espontaneidade corporais, uma parte da vida bastante intensa e feliz. O adolescente tem uma parte da vida bastante intensa, mas mais inibida e menos feliz. O adulto tem uma vida um tanto apagada, e atribuo isso não somente ao envelhecimento, como também à experiência em termos psicológicos.

    2. A morte possibilita a renovação de idéias e costumes enraizados na mente de uma pessoa. Veja como os adultos da geração passada têm dificuldade em se livrar de crenças e modos de agir de sua época, ao contrário da evolução e renovação espontânea que ocorre com a criança e a nova geração. A criança aprende com uma imensa facilidade aquilo que está no seu meio, e antes dos 10 anos já não tem mais essa capacidade.

    3. Praticamente, é impossível ser imortal. Vc pode ser explodido em pedaços num atentado, cair de avião, etc. Mas não é só isso… a dificuldade na imortalidade vai muito mais além de parar o envelhecimento. No início, mesmo se pararmos o processo de envelhecimento aos 20 anos, ainda haverão doenças (físicas e mentais), degeneração cumulativa nos órgãos internos (por uso), e diversos riscos de morte. Como parar isso? Nossa medicina não consegue sequer tratar muitos ferimentos bem o bastante. Não haverá uma solução mágica.

    4. Há ainda, é claro, em teoria, o processo de seleção natural que depende do ciclo de vida e morte. Mas creio que os seus efeitos benéficos estão no momento estagnados ou revertidos em maléficos.

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