
Não deixa de ser frustrante, e fonte de inveja, ver a enorme capacidade intelectual de nosso amigo amoral e ateu Gregory House. Suas tiradas geniais são ininterruptas. Jamais se constrange. Está sempre um passo à frente dos outros. Mesmo quando recebe um argumento ou provocação a altura, vira a mesa em segundos – na pior das hipóteses, perde com incrível estilo. Um ícone ambulante da razão encarnada, no seu melhor!
Fato: qualquer pensador adoraria ser como House, em intensidade, profundidade e velocidade. Na prática, nos sentimos muito aquém do potencial de uma situação – afinal, lá está House nos mostrando tudo o que é possível fazer!
Ah, os heróis da TV! Já me servia de consolo que mesmo House, no contexto da série, vivia constantemente dopado intelectualmente. Vicodin. Dava vontade de pensar: “assim até eu!”. Ainda tomo isso um dia, hehehe. Mas o buraco é (obvia e felizmente, para nós invejosos) mais embaixo…

Sabe aquela cena em que Rambo se joga de um helicóptero, sai resvalando em vários galhos das árvores, cai no chão e sai correndo, em fuga espetacular? Dá vontade de malhar 7 horas por dia vendo aquilo! O engraçado, descobri há uns meses ouvindo um nerdcast (recomendo todos eles), é que Sylvester Stallone fazia questão de dispensar dublês nas tomadas! O resultado hilário é que, pulando de míseros três metros de altura em cima de um colchão (!), ao gravar uma pequena parte do longo salto do helicóptero (feita em vários cortes, é claro), ele quebrou duas ou três costelas!
Esse é o exemplo mais forte de discrepância entre ficção e realidade que conheço. Mas House é outro! Simplesmente há quatro médicos que dedicam longo tempo de suas vidas a ajudar os roteiristas do seriado – de modo que o Dr. House pensa com quatro cérebros médicos (fora os dos argumentistas!) e em velocidade hiper-acelerada!
Feitas as contas, acho que já posso dormir tranquilo.
(Vai um vicodin?)
janeiro 9, 2011 às 3:23 am |
O merecido sucesso de House, em nosso mundo como o é, serve, dentre outros, para explicitar a sordidez da mediocridade.
Além de levantar pautas extremamente relevantes e, sobretudo, sua abordagem de qualidade, a série ainda dá um empurrãozinho à campanha rouca: “Tire sua Personalidade do armário!”
Agora, falando em heróis da TV…
O Coringa de Heath Ledger, apesar dos sensíveis “contras” (segundo visão de qualquer um que julga mais sensato utilizar-se despudoradamente das diretrizes a seu favor ao invés de infringí-las), merece aqui uma menção.