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	<title>Diário da Aventura Humana v2.0</title>
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		<title>Diário da Aventura Humana v2.0</title>
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		<title>Estamos em uma Realidade Virtual!</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 01:41:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paralelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Paranóia]]></category>
		<category><![CDATA[Realidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava, agora mesmo, passando pela centésima quarta página do famosamente assombroso A Essência da Realidade, do físico teórico e-claramente-mais-que-isto David Deutsch. De fato, este era um livro que eu queria ler há mais de dez anos. O original em inglês, The Fabric of Reality, assustou até Richard Dawkins! Finalmente achei a versão nacional em um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=122&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Estava, agora mesmo, passando pela centésima quarta página do famosamente assombroso <em>A Essência da Realidade</em>, do físico teórico e-claramente-mais-que-isto David Deutsch. De fato, este era um livro que eu queria ler há mais de dez anos. O original em inglês, <em>The Fabric of Reality</em>, assustou até Richard Dawkins! Finalmente achei a versão nacional em um sebo &#8211; rara, me custou 90 paus!</p>
<p>Pois bem!</p>
<p>Deutsch, de forma não proposital (pois na verdade o objetivo dele, igualmente louco, mas diferente, é nos convencer da existência de um universo paralelo para cada possibilidade física), praticamente me convenceu de que estamos numa realidade virtual, ou de que há uma razão fortíssima pra desconfiarmos disto.</p>
<p>Ele falava, mais ou menos, sobre a situação epistemológica de um ser que estivesse aprisionado numa simulação de xadrez &#8211; que fosse, digamos, o Rei. O que ele poderia saber? Em tese, só poderia conhecer as &#8220;leis da física&#8221; do xadrez, isto é, as regras do xadrez. Mas Deutsch nos diz que esse Rei também poderia saber que as regras do xadrez, sozinhas, <em>não explicam sua própria inteligência e percepção do xadrez.</em> Logo, o Rei poderia deduzir que aquele &#8220;mundo xadrez&#8221; necessariamente faz parte de um mundo mais amplo, um mundo cujas regras possam explicar as capacidades do próprio Rei.</p>
<p>Deutsch pára aí.</p>
<p>Mas então eu pensei: &#8220;eeeeeiii!!! E as leis da física do nosso mundo, explicam <em>nossas</em> capacidades?!&#8221;</p>
<p>Como estou persuadido de que as leis da física, pelo menos do modo como são hoje entendidas, não podem explicar sobremaneira a mente e a consciência (mesmo Dennett, o maior defensor da ideia contrária, admitiria que não fazemos ideia dos detalhes), pensei que estamos na situação do Rei! Nosso &#8220;mundo físico&#8221; deve ser uma simulação, e o mundo real deve ser tal que suas leis e regras expliquem confortavelmente a existência de nossa mente e consciência &#8211; que, por ora, estão dentro desta realidade virtual.</p>
<p>E, pensando mais, isto nos dá até uma diferenciação satisfatória e clara entre &#8220;mundo real&#8221; e &#8220;mundo virtual&#8221; &#8211; sendo o mundo real aquele que explicar, em sua base, a relação sujeito-realidade.</p>
<p>Como diz Deutsch, descobrir algo desta natureza não seria nenhum escândalo: se trataria apenas de descobrir que estivemos estudando, até agora, uma parte menor da realidade do que pensávamos &#8211; o que se deu em praticamente todos os avanços da compreensão científica.</p>
<p>* Parece louco? Bom, vim postar no impulso! <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Despedida de Ontólogo</title>
		<link>http://aventurahumana.wordpress.com/2009/07/25/despedida-de-ontologo/</link>
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		<pubDate>Sun, 26 Jul 2009 00:04:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paralelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[* Ontólogo é quem estuda ontologia. Err&#8230;
** Ontologia é o estudo do Ser, isto é, de&#8230; o que realmente existe?
Aos 27 anos, tenho uma ontologia.
Isso deve ser algum tipo de marco intelectual interessante.
E como estou prestes a iniciar uma jornada intelectual fanática – leia-se ler de tudo, e muito, e rápido – e, assim, muito [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=116&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:right;"><em><span style="color:#800000;">* </span></em><strong><span style="color:#800000;">Ontólogo</span></strong><em><span style="color:#800000;"> é quem estuda ontologia. Err&#8230;<br />
** </span></em><strong><span style="color:#800000;">Ontologia</span></strong><em><span style="color:#800000;"> é o estudo do Ser, isto é, de&#8230; o que realmente existe?</span></em></p>
<p style="text-align:left;">Aos 27 anos, tenho uma ontologia.</p>
<p>Isso deve ser algum tipo de marco intelectual interessante.</p>
<p>E como estou prestes a iniciar uma jornada intelectual fanática – leia-se ler de tudo, e muito, e rápido – e, assim, muito provavelmente mudar minha ontologia no meio do caminho, deixe-me comemorar essa espécie de “despedida de ontólogo” expondo-a (ok, as despedidas de solteiro são melhores).</p>
<p>Creio existir uma ordem objetiva independente da mente, e por isso sou materialista – mas com a controversa ressalva de que “matéria”, a meu ver, significa <em>qualquer coisa</em> que seja a natureza fundamental dos fatos objetivos que observamos. Quando vemos ou tocamos uma cadeira ou uma árvore, são mesmo uma cadeira ou uma árvore fora de nós – não ponho dúvidas sobre isso. Mas elas poderiam ser feitas de átomos democritianos (realmente indivisíveis), quarks, energia, supercordas, projeção holográfica ou mesmo bits. Não me comprometo com a alegação de que elas devam ser <strong>físicas</strong>, pelo menos no sentido intuitivo da palavra, que espera alguma “substância concreta” na base de tudo. Elas são materiais, seja lá o que for “material”. O que elas <em>não são </em>é mentais ou fictícias, eis o ponto-chave. Estão fora de mim, são objetivamente reais e possuem as propriedades macroscópicas (ou melhor, superescalares) por mim percebidas: peso, altura, posição, forma, etc.</p>
<p>Meu palpite é que a matéria não é feita nem de bits nem de átomos (em última instância, digo), mas de “possibilidades lógicas”. O argumento é complexo e é explicado <a href="http://www.suasticazul.hbe.com.br/filosofia/substancia.html#4.%20A%20Poss%C3%ADvel%20Realidade" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>, mas, pra resumir, as possibilidades lógicas são as únicas coisas cuja inexistência é impossível – por exemplo, é impossível que não <em>exista</em> a possibilidade de você vencer na loteria. Se possibilidades lógicas <em>têm que existir</em>, então só podem ser elas que estão na base de toda a existência. A implicação é que Deus <strong>não pode</strong> existir, porque não pode existir um <strong>criador</strong> para algo cuja inexistência era impossível. Deus nunca teve a opção de criar uma realidade onde dois mais dois fossem cinco, por exemplo, ou onde não fosse possível você ganhar na loteria.</p>
<p>Fora de mim, é isso.</p>
<p>Contudo, creio existir um “dentro de mim”. Tecnicamente, sou realista fenomenal, isto é, acredito que a consciência e suas propriedades realmente existem, em vez de serem alguma espécie de ilusão. Acredito que a dor existe, que o prazer e a felicidade existem, e que a <span style="color:#ff0000;"><strong>vermelhidão</strong></span> existe. Não é que tais coisas existem “de modo X”, mas sim que existem exatamente do modo como nos parecem, e de nenhum outro modo. Em outras palavras, minha subjetividade sou eu próprio, nem mais, nem menos – e, portanto, sou plena autoridade pra saber sobre mim.</p>
<p>A ressalva, aqui, é que não incluo no meu “eu”, ou na minha subjetividade, qualquer aspecto que seja inconsciente. A palavra já diz: fora da consciência. Evidentemente, só faz parte de mim o que está na minha consciência, aquilo <em>de que </em>sou consciente. Portanto, quando digo que sei tudo sobre mim, não é uma boa objeção dizer que, na verdade, eu não sei que uma série de memórias minhas são falsas – como é bem provável. O que sei – de forma plena e indubitável! – é que tenho acesso a tais memórias. É disto que sou consciente. Não tem nada a ver <strong>comigo</strong> (meu eu) o fato de que tais memórias são falsas – isto é algo causado pela parte <em>inconsciente</em> do meu cérebro e, portanto, não é algo sobre minha <em>consciência</em> e do qual eu não seja consciente &#8211; o que, dito assim, se mostra claramente absurdo. Da minha consciência, sei absolutamente tudo.</p>
<p>E, aliás, é exatamente por saber absolutamente tudo da minha consciência que posso, por exclusão, saber exatamente o que está fora de mim. Como dono da minha subjetividade, sei o que não está dentro dela e, portanto, só pode estar fora.</p>
<p>Acredito que a subjetividade é um mistério, contudo. Ela é tão factual quanto o próprio mundo exterior, objetivo, que todos nós percebemos. Porém, parece ser incompatível com ele – ou, pelo menos, completamente desvinculada. Meu palpite, sobre isso, é que quando o processamento cerebral chega ao ponto de estabelecer metas e objetivos, é de algum modo logicamente forçado que tal finalidade geral, ou <em>telos</em>, convirja num ponto virtual, o eu. Do mesmo modo, só se pode processar imagens <em>vendo</em>, e só se pode processar um dano <em>sentindo dor</em>. O importante é que as metas e objetivos implementados pelo cérebro <em>exigem</em> um centro virtual ativo – tanto quanto o formato do círculo exige o valor de <em>pi</em>.</p>
<p>De todo modo, não sabemos <em>como</em> isso ocorre.</p>
<p>Pelo mesmo motivo, acredito que o livre-arbítrio não possa ser descartado. Enquanto a ordem objetiva é determinista (ou aleatória, tanto faz), a subjetividade parece ter acesso a um fato estranho: se há desejos e objetivos, há meios <strong>diversos </strong>para<strong> </strong>concretizá-los. Portanto, é <em>possível</em> concretizá-los por qualquer um dos meios disponíveis. Eles <em>estão </em>disponíveis, sendo esse o fato estranho ao qual qualquer indivíduo tem acesso direto. Isto é escolher, e implica que a árvore causal cuja raiz está na escolha de um indivíduo nem se apaga, sendo aleatória, e nem possui apenas um ramo, estando pré-determinada.</p>
<p>Isto sem dúvida entra em choque com o que sabemos sobre a causalidade na ordem objetiva (isto é, no mundo lá fora). Mas isto só significa que temos um impasse a resolver. Se a subjetividade entra em conflito com a objetividade, não há razão para privilegiar <em>automaticamente</em> a segunda. Tanto mais porque a própria consciência é subjetiva e, a julgar pelas leis da física, <em>não deveria existir</em>. E, no entanto, ela existe, contra tudo o que sabemos sobre as possibilidades da matéria. Não seria grande surpresa que o livre-arbítrio, sendo outro dado subjetivo, também prevaleça sobre o que, por hora, achamos saber sobre a realidade.</p>
<p>A implicação mais importante da minha ontologia é esta: na morte, o processamento cerebral morre, portanto morre o eu virtual. Não há vida após a morte, pois. No entanto, existe a possibilidade de copiarmos o padrão de processamento cerebral, de modo que nossa existência – que já é virtual mesmo, em todo caso – continue num computador, por exemplo (e, claro, possa esperar o avanço da tecnologia, para retornar a um corpo, se é que isso será importante).</p>
<p>E é basicamente isso. Há um mundo lá fora, espacial, material e cuja natureza última desconhecemos – a teoria das supercordas é nossa melhor tentativa de chegar lá, creio. Mas acho que, mais fundo ainda, possibilidades (cuja inexistência é impossível) subjazem a tudo. <em>São </em>tudo, melhor dizendo – de modo que não podem ter sido criadas, não havendo Deus, portanto. Dentro deste mundo há cérebros que, num certo ponto da evolução biológica, começaram a implementar objetivos reais, isto é, metas, intenções. Isto forçou a existência de um ponto central no programa, o eu. Forçou a distinção entre a entidade (que possui o objetivo) e o resto (o ambiente no qual se age). Por fim, a existência de metas e intenções abriu a árvore causal através dos diversos meios disponíveis para realizar tais metas. É o livre-arbítrio.</p>
<p>Talvez a soma de prazer e dor mais livre-arbítrio realmente fundamente alguma ordem moral. Mas, por hora, isto não faz parte de minha ontologia. Sigo sendo amoral.</p>
<p>Depois de dezenas de mais leituras sobre o fundamento da vida, do universo e de tudo o mais, será que vou mesmo mudar minha ontologia? Poxa, está tão arrumadinha&#8230;</p>
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		<item>
		<title>Um Causo Nerd&#8230;</title>
		<link>http://aventurahumana.wordpress.com/2009/06/29/um-causo-nerd/</link>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 13:54:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paralelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Paranóia]]></category>
		<category><![CDATA[● Notícias do Site]]></category>

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		<description><![CDATA[Ok, essa mereceu vir parar aqui.
Eis que Diego manda o seguinte e-mail para a turma do Encontro Intelectual, divulgando a bizarra conversa de messenger:
&#62; (21:04:03) Jonatas: oi
&#62; (29-06-2009 00:13:37) Diego: que absurdo
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Ok, essa mereceu vir parar aqui.</p>
<p>Eis que Diego manda o seguinte e-mail para a turma do Encontro Intelectual, divulgando a bizarra conversa de messenger:</p>
<p><em>&gt; (21:04:03) Jonatas: <strong><span style="color:#993300;">oi</span></strong><br />
&gt; (29-06-2009 00:13:37) Diego: <strong><span style="color:#333399;">que absurdo</span></strong><br />
&gt; (00:13:56) Jonatas: <strong><span style="color:#993300;">o q?</span></strong><br />
&gt; (00:14:19) Diego: <strong><span style="color:#333399;">oi</span></strong><br />
&gt; (00:14:27) Jonatas: <strong><span style="color:#993300;">oi</span></strong><br />
&gt; (00:14:36) Diego: <strong><span style="color:#333399;">o q?</span></strong><br />
&gt; (00:14:44) Jonatas:<strong> <span style="color:#993300;">&#8220;que absurdo&#8221;</span></strong><br />
&gt; (00:14:49) Diego: <strong><span style="color:#333399;">oi</span></strong><br />
&gt; (00:14:51) Diego: <strong><span style="color:#333399;">Viva!</span></strong><br />
&gt; (00:14:55) Diego: <strong><span style="color:#333399;">um palindromo completo</span></strong><br />
&gt; (00:15:06) Diego: <strong><span style="color:#333399;">Hofstadter ficaria orgulhoso</span></strong></em></p>
<p> <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_surprised.gif' alt=':o' class='wp-smiley' />  Não é todo dia mesmo!</p>
<p>*****</p>
<p>Sobre site e blog: absurdo, mil coisas prontas e pura preguiça de publicar! =X</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aventurahumana.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aventurahumana.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aventurahumana.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aventurahumana.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aventurahumana.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aventurahumana.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aventurahumana.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aventurahumana.wordpress.com/112/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aventurahumana.wordpress.com/112/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aventurahumana.wordpress.com/112/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=112&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Escrever é F*** O Valor de Escrever</title>
		<link>http://aventurahumana.wordpress.com/2009/05/19/o-valor-de-escrever/</link>
		<comments>http://aventurahumana.wordpress.com/2009/05/19/o-valor-de-escrever/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 19 May 2009 21:57:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paralelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Idealismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Nós, seres esquisitos que escrevemos coisas, gozamos de um ponto de vista que é privilegiado, em relação aos que também gostam de idéias, mas não escrevem.
Explico:
Tem sido bastante normal, pra mim, sentir que meus monólogos interiores e pensamentos &#8211; sejam sobre algum enigma filosófico, alguma questão social ou qualquer tipo de insight &#8211; estão perfeitamente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=98&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Nós, seres esquisitos que escrevemos coisas, gozamos de um ponto de vista que é privilegiado, em relação aos que também gostam de idéias, mas não escrevem.</p>
<p>Explico:</p>
<p>Tem sido bastante normal, pra mim, sentir que meus monólogos interiores e pensamentos &#8211; sejam sobre algum enigma filosófico, alguma questão social ou qualquer tipo de <em>insight</em> &#8211; estão perfeitamente maduros, coerentes e desenvolvidos.</p>
<p>Mas toda esta convicção, toda esta <strong>aparência</strong> de ter idéias profundas, vai por água abaixo assim que sento pra escrever as &#8220;brilhantes idéias&#8221; que tive em puro pensamento. De repente, os vazios aparecem, as contradições ficam evidentes, as peças não encaixam tão bem. E o texto é um parto pra sair.</p>
<p>E aí, para que a coisa aconteça, é preciso alguma pesquisa, pesados raciocínios, revisões e revisões, cada uma mirando um aspecto da idéia: coerência, moderação, compatibilidade com o que já se disse antes, presença de exageros ou bobagens, etc.</p>
<p>Claro, depois de todo este exercício, afinal já se tem uma boa idéia &#8211; de verdade &#8211; do ponto em questão!</p>
<p>=)</p>
<p>Agora, se eu não me preocupasse em escrever, continuaria sempre com a sensação intuitiva de que, sim, eu já havia compreendido perfeitamente bem a idéia que tinha em mente.</p>
<p>Quem não escreve fica sobrando nessa.</p>
<p>E, bem&#8230; não há como suavizar esta dura verdade. =\</p>
<p>Você não escreve?</p>
<p>Azar, amigo. Se f*****</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aventurahumana.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aventurahumana.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aventurahumana.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aventurahumana.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aventurahumana.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aventurahumana.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aventurahumana.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aventurahumana.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aventurahumana.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aventurahumana.wordpress.com/98/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=98&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Teaser Paralelo</title>
		<link>http://aventurahumana.wordpress.com/2009/05/10/teaser-paralelo/</link>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2009 01:37:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paralelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Idealismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos numa época de correria filosófica (isso no meio e adjacências, claro, rs), com muita gente deslumbrada por soluções bizarras para os problemas clássicos da busca pela verdade, ansiosas por fingir que estão entendendo o que na verdade é nonsense, de modo a serem tidas como intelectualmente superiores pela sua estranha habilidade mental. Trocam a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=96&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Estamos numa época de correria filosófica (isso no meio e adjacências, claro, rs), com muita gente deslumbrada por soluções bizarras para os problemas clássicos da busca pela verdade, ansiosas por fingir que estão entendendo o que na verdade é <em>nonsense</em>, de modo a serem tidas como intelectualmente superiores pela sua estranha habilidade mental. Trocam a grandeza da realidade por esta vaidade momentânea. A mim, imune à febre gerada pelo coro, acusam de estar me apegando a um otimismo obsoleto – ainda desejando a Verdade, a Razão e a Objetividade em seus mitológicos trajes prateados e gloriosos. Não sou atingido por tais críticas, por <em>saber</em> &#8211; no que é uma análise interior clara e simples &#8211; não estar motivado por necessidades psicológicas, mas percebendo, ao contrário, que o velho e bom raciocínio encontra, por trás de toda essa balbúrdia, o sutil sentido que tentam suprimir em vão.</p>
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		<title>III Encontro Intelectual</title>
		<link>http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/iii-encontro-intelectual/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 04:25:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paralelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[III Encontro Intelectual
O Encontro Intelectual é um evento informal entre uns certos amigos arbitrários da filosofia, da ciência e da intelectualidade em geral. Nerds, pra resumir. Os números romanos usados nos títulos dos eventos geram as abreviações exóticas a seguir:
I-EI &#8211; lê-se &#8220;i êi&#8221;. 16 a 18/02/08, Moema, São Paulo.
II-EI &#8211; lê-se &#8220;bi êi&#8221;. 01 [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=84&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong><em>III Encontro Intelectual</em></strong></p>
<p>O <em>Encontro Intelectual</em> é um evento informal entre uns certos amigos arbitrários da filosofia, da ciência e da intelectualidade em geral. Nerds, pra resumir. Os números romanos usados nos títulos dos eventos geram as abreviações exóticas a seguir:</p>
<p>I-EI &#8211; lê-se &#8220;i êi&#8221;. 16 a 18/02/08, Moema, São Paulo.</p>
<p>II-EI &#8211; lê-se &#8220;bi êi&#8221;. 01 a 04/08/08, Moema, São Paulo.</p>
<p>III-EI &#8211; lê-se &#8220;tri êi&#8221;. 21 a 24/02/09, Mairiporã, São Paulo.</p>
<p>IV-EI &#8211; lê-se &#8220;ivêi&#8221;.</p>
<p>Claro que o IV-EI ainda não ocorreu (aliás, Victor percebeu que a 14ª edição será o XIV-EI ["xí, véi..."]). Quanto aos eventos anteriores, tiveram cinco membros no primeiro, e seis membros nos seguintes &#8211; com a inclusão do último da lista:</p>
<p><strong>CD</strong> (Carlos Daniel) &#8211; Medicina, RJ</p>
<p><strong>Conde Di </strong>(Diego Caleiro) &#8211; Filosofia, SP</p>
<p><strong>Paralelo</strong> (Lauro Edison) &#8211; Diletante profissional =) PA/SP</p>
<p><strong>Sir Pi </strong>(Pierre Caradec) &#8211; Engenharia, SP</p>
<p><strong>Vic Mart </strong>(Victor Martini) &#8211; Filosofia, SP</p>
<p><strong>JôLou</strong> (João Lourenço) &#8211; Filosofia, SP</p>
<p>Eu entrei nessa história porque conheci CD no orkut, que conhecia Pi e Di (pelo orkut), que conhecia Jô e Vic (pessoalmente). Quando organizaram o IEI (cuja cobertura se pode ver <a href="http://aventurahumana.wordpress.com/i-encontro-intelectual-iei/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>), eu estava na hora e lugar certos, e fui convidado.</p>
<p>O legal dessas reuniões é a mistura de idéias em comum (não existe mágica no mundo, a psicologia evolutiva está correta, Deus está morto, Dennett, Pinker e Dawkins é que são Deus, o aborto de anencéfalos é ok [foda-se o Papa], etc.) e de discordâncias em todas as formas e divisões: todos contra todos, dois contra quatro ou um contra todos, em todas as combinações &#8211; só depende do tema: trabalho, moral, poliamor, status, sexo. Todo tipo de subgrupo se forma!</p>
<p>Mas o III-EI não foi bem assim.</p>
<p>Dessa vez evitamos os temas mais sociais e focamos quase totalmente em alta filosofia. O resultado foi que, na maior parte do tempo, eu me vi discordando de cinco relativistas enrustidos! Revivemos ali o eterno choque da filosofia entre, de um lado, relativismo (não existe a razão) e, de outro, metafísica (a razão é um poder mágico além da matéria). São duas opções intelectualmente péssimas, mas é difícil se situar em um ponto seguro entre as duas. Agora, eu não ouso arriscar ser relativista, e eles não ousam arriscar ser metafísicos. Por isso eu os acuso de relativistas, e eles não aceitam; e eles me acusam de metafísico, e eu não aceito.</p>
<p>O III-EI foi, portanto, uma batalha de minha defesa otimista do poder da razão contra as diversas posições debilitantes defendidas por eles: que a razão é um &#8220;mero jogo humano de axiomas arbitrários&#8221; (by CD), que a matemática foi &#8220;inventada&#8221; (ouvi até <em>defesas </em>de que 2 + 2 podem somar 5!), que a consciência é capaz de se iludir até sobre si própria (queria ter filmado CD dizendo: &#8220;eu não <em>vejo</em> o vermelho; creio que vejo, mas posso estar enganado&#8221; <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_surprised.gif' alt=':o' class='wp-smiley' />  ), que a mente ser encarnada mostra o quanto nossos pensamentos são arbitrários e pouco confiáveis (by Vic), que os padrões da matéria só estão em nossa cabeça (by Pi), que probabilidades são sempre chutes no escuro (by JôLou), que os objetivos humanos não existem e são apenas &#8220;um modo de falar&#8221; (by Di)&#8230; Céus, do meu ponto de vista quase dava pra se chamar o evento de <em>Encontro <strong>Anti</strong>intelectual</em>! =)</p>
<p>Mas a verdade é que foi o melhor dos três. Saibam <a href="http://naoseridentificado.blig.ig.com.br/2009/03/19218527.html" target="_blank"><strong>aqui</strong></a> (no meio do post) sobre os agradáveis aspectos não-intelectuais do evento! Isso deixou a todos mais tenazes do que jamais foi possível nos dois eventos anteriores. Sobretudo no II-EI cansamos muito.</p>
<p>A seguir, minha cobertura (bem) mais específica do III-EI. O que vou fazer não é tanto <em>descrever</em> os debates do evento, mas sim dar prosseguimento a eles &#8211; embora para o leitor eu os descreva o suficiente para que o texto se torne inteligível. Claro: como eu estive quase sempre sozinho defendendo meus pontos, e como sou eu quem vai escrever aqui, essa &#8220;cobertura&#8221; é também um conjunto de réplicas minhas.</p>
<ul class="unIndentedList">
<li> <strong><em><a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-1-as-perolas/" target="_self">PÉROLAS DO III-EI</a></em><em><br />
</em></strong></li>
<li> <a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-2-menos-filosoficos/" target="_self"><strong><em>TEMAS MENOS FILOSÓFICOS</em></strong></a>
<ul>
<li> Faculdade no estrangeiro</li>
<li> Música ainda é arte?</li>
<li> Beleza é tudo no sexo?</li>
<li> Dá pra não ter medo dos médicos?</li>
<li> Faculdades ajudam ou atrapalham?</li>
<li> O valor do RPG</li>
<li> A Ética dos Debates</li>
</ul>
</li>
<li> <strong><em><a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-3-intuicao/" target="_self">O PAPEL DA INTUIÇÃO EM FILOSOFIA</a><br />
</em></strong></li>
<li> <strong><em><a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-4-a-razao/" target="_self">A NATUREZA DA RAZÃO</a><br />
</em></strong></li>
<li> <strong><em><a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-5-matematica/" target="_self">A NATUREZA DA MATEMÁTICA</a><br />
</em></strong></li>
<li> <strong><em><a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-6-kripke/" target="_self">KRIPKE: JOGO DE PALAVRAS?</a><br />
</em></strong></li>
<li> <strong><em><a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-7-entropia/" target="_self">O CAOS NAS LEIS DA FÍSICA</a><br />
</em></strong></li>
<li> <a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-8-ontologia/" target="_self"><strong><em>DISCORDÂNCIAS SOBRE O SER</em></strong></a>
<ul>
<li> Monismo Escadal v. s. Fisicalismo Morto ou Dualismo</li>
</ul>
</li>
<li> <a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-9-relativismo/" target="_self"><strong><em>RELATIVISMO ● A NATUREZA DA CONSCIÊNCIA</em></strong></a>
<ul>
<li> Extra: o experimento da escolha.</li>
</ul>
</li>
<li> <a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-10-outros-topicos/" target="_self"><strong><em>OUTROS TÓPICOS</em></strong></a>
<ul>
<li> Memes<em></em></li>
<li> Teleologia<em></em></li>
<li> Dualismo de Chalmers<em></em></li>
<li> Dualismo de Penrose<em></em></li>
<li> Mente Encarnada<em></em></li>
</ul>
</li>
</ul>
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	</item>
		<item>
		<title>3EI 1 &#8211; As Pérolas!</title>
		<link>http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-1-as-perolas/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 04:12:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paralelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Paranóia]]></category>

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		<description><![CDATA[PÉROLAS DO TRI-EI
 
É impressionante como, no meio dos blá-blá-blás dos debates, saem frases que são verdadeiras obras de engenharia do absurdo:
&#8220;Não&#8230; Isto aí é o substrato ontológico genérico&#8221;
- Carlos Daniel, &#8220;explicando&#8221; algo sobre&#8230; algo?
&#8220;A Biologia é um chute&#8221;
- Pierre Carradec &#8211; fora de contexto, mas disse!
&#8220;Cada um fala em silêncio, por favor!&#8221;
- Lauro Edison, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=81&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>PÉROLAS DO TRI-EI</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>É impressionante como, no meio dos blá-blá-blás dos debates, saem frases que são verdadeiras obras de engenharia do absurdo:</p>
<p><span style="color:#008080;"><em>&#8220;Não&#8230; Isto aí é o substrato ontológico genérico&#8221;<br />
</em></span>- Carlos Daniel, &#8220;explicando&#8221; algo sobre&#8230; algo?</p>
<p><span style="color:#008080;"><em>&#8220;A Biologia é um chute&#8221;</em></span><br />
- Pierre Carradec &#8211; fora de contexto, mas disse!</p>
<p><span style="color:#008080;"><em>&#8220;Cada um fala em silêncio, por favor!&#8221;<br />
</em></span>- Lauro Edison, parece que sobre a telepatia.</p>
<p><span style="color:#008080;"><em>&#8220;Você não pode fazer um argumento por apelação etimológica&#8221;<br />
</em></span>- Diego Caleiro, fundando um novo tipo de falácia.</p>
<p><span style="color:#008080;"><em>&#8220;O infinito está ali, ponto!&#8221;<br />
</em></span>- Lauro Edison, recorde de dogma mais ganancioso.</p>
<p><span style="color:#008080;"><em>&#8220;Peraí, deixa eu variar os mundos&#8230;&#8221;<br />
</em></span>- Victor Martini, ocupado com um raciocínio pelo visto muito pesado.</p>
<p><span style="color:#008080;"><em>&#8220;Onisciência &#8211; seu epistemológico é o ontológico&#8221;<br />
</em></span>- Diego Caleiro, descobrindo a essência de Deus.</p>
<p><span style="color:#008080;"><em>&#8220;Se há 300 opções, posso escolher e só pode ser aleatoriamente. Não há determinismo nenhum nessa porra!&#8221;<br />
</em></span>- Lauro Edison, vítima da distorção da mente encarnada.</p>
<p>Quando falávamos sobre Kripke e seus mundos possíveis, designadores rígidos para conceitos e nomes, estrela da manhã e da noite (ambas são Vênus), verdades necessárias <em>a posteriori</em> e contingentes <em>a priori</em>, o tema ficou tão confuso e enrolado que JôLou mandou essa série de confissões:</p>
<p><em><span style="color:#008080;">&#8220;Eu não sou homem!&#8221;</span><span style="color:#003366;"> </span></em><span style="color:#003366;">[ok, estava implícito: "e sim apenas um nome, neste exemplo"]</span><br />
- João Lourenço, quase saindo do armário graças à metafísica de Kripke.</p>
<p><span style="color:#008080;"><em>&#8220;Eu posso ser o João do dia e o João da noite. O João da noite é mulher&#8221;<br />
</em></span>- João Lourenço. Bom&#8230; Saiu do armário de vez.</p>
<p><em><span style="color:#008080;">&#8220;Eu rigidifiquei o CD&#8221;</span><span style="color:#003366;"> </span></em><span style="color:#003366;">[num uso interessante dos designadores rígidos de Kripke]<br />
</span>- João Lourenço, afinal entrou em ação!</p>
<p><span style="color:#008080;"><em>&#8220;Não passem chocolate com cacau 85% no pau&#8221;<br />
</em></span>- João Lourenço. Bicha pós-moderna.</p>
<p>Noutras tantas, falávamos sobre certos homens que nascem com vantagens de cognição femininas &#8211; por exemplo, capazes de prestar atenção em mais de uma coisa. Alguém disse: &#8220;é, são mulheres&#8230;&#8221;. Diego, num clássico do machismo, e vaidosamente erguendo o dedo, declamou: <span style="color:#008080;"><em>&#8220;São <strong>super</strong>mulheres!&#8221;</em></span></p>
<p>Mas nem só de abobrinhas se entope o báu do tri-ei.</p>
<p>Em uma frase, Victor pode ter derrubado todo o sistema ontológico que defendi no bi-ei, o <strong>neomaterialismo</strong>. Basicamente ele disse que<span style="color:#008080;"> &#8220;Ser é <em>ser algo</em>&#8220;</span>. Isso me fez pensar bastante. Não existe &#8220;simplesmente ser&#8221;, o &#8220;ser puro&#8221; de Parmênides. Ser é ter propriedades, o que pode jogar por água abaixo minha ontologia. Belo <em>insight</em>! Ainda vou pensar melhor nisso.</p>
<p>Em outra frase, puxada de Wittgenstein no momento exato, CD me tirou uma angústia filosófica que eu julgava irrespondível: <em>como é possível que nosso campo visual tenha limite, mas nós não <strong>vejamos</strong> este limite?</em> A resposta súbita e completa: <span style="color:#008080;"><em>&#8220;Para ver uma fronteira é preciso ver o outro lado da fronteira&#8221;</em></span>. Pronto, estou curado!</p>
<p>Por fim, e fabuloso, Pierre propõe um teste para a idéia de que a visão em cores é determinada pela linguagem. Alega-se que certos povos possam perceber menos tons de verde, por exemplo, por ter poucas palavras para &#8220;verde&#8221;. Mas então é só lhes mostrar duas fotos de bolas verdes iluminadas: uma com um degradê perfeito (do verde claro até o verde escuro) e a outra, com péssima qualidade, com um degradê quebradiço, que inclua no máximo uns seis ou oito tons de verde. E <em>voilà</em>: se a tese ali for correta, é de se esperar que o povo enxergue as duas bolas como quebradiças, em vez de ver a variação gradual, e sem quebras, que nós vemos na primeira.</p>
<p>=)</p>
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			<media:title type="html">Paralelo</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>3EI 2 &#8211; Menos Filosóficos&#8230;</title>
		<link>http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-2-menos-filosoficos/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 04:03:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paralelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Idealismo]]></category>
		<category><![CDATA[Realidade]]></category>

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		<description><![CDATA[TEMAS MENOS FILOSÓFICOS
 
Apesar de tudo, falamos de vários temas nem tão filosóficos. Por exemplo, Diego, que passou um tempo nos EUA, fez uma apresentação sobre como conseguir fazer pós-graduação, sendo brasileiro, numa grande faculdade como o MIT ou Oxford. Conclusão: esforce-se o dobro do que é possível para ter 1% de chance de chegar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=79&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>TEMAS MENOS FILOSÓFICOS</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Apesar de tudo, falamos de vários temas nem tão filosóficos. Por exemplo, Diego, que passou um tempo nos EUA, fez uma apresentação sobre como conseguir fazer pós-graduação, sendo brasileiro, numa grande faculdade como o MIT ou Oxford. Conclusão: esforce-se o dobro do que é possível para ter 1% de chance de chegar perto da oportunidade de, ocorrendo algum erro no sistema, você dar sorte. Pois a cada 5 vagas há 50 pessoas melhores do que você, das quais 10 ainda contam com recomendações ilustres de estrelas como Putnam ou Dennett. Ou seja: não dá.</p>
<p>Outra: perguntei se música ainda é arte. Penso que não, como deixei claro <a href="http://aventurahumana.wordpress.com/2008/09/27/o-que-sera-da-musica/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>. Todos acharam a afirmação radical, mas concordaram que a música, agora que cai da net em torrentes grátis, já não é mais a mesma: antes era possível se unir às pessoas com base em gostos musicais. Hoje é algo pessoal, e dificilmente se acha alguém que compartilhe seus gostos &#8211; tornou-se um fator separatista. Há músicas em excesso pra cada nuance do gosto humano. E, como com as religiões, músicas perdem sua força quando vemos que as nossas não são especiais. Quem acha música clássica <em>realmente</em> melhor do que pagode? Só CD, o mais purista da turma, se atreveu a dizer sim. Os outros já sabem que seus gostos são arbitrários &#8211; o que torna a música pálida.</p>
<p>Ah! Éramos seis homens ali. Claro que debatemos algo sobre sexo &#8211; foi o único fio carnavalesco que tivemos nesse Carnaval (além da moça de biquíni que passou por ali, paralisando completamente um debate). Era a questão de se a atração sexual, por parte dos homens, conta exclusivamente com a beleza feminina, ou inclui &#8211; e o quanto inclui? &#8211; a personalidade da mulher no pacote. Diego: personalidade praticamente não conta. Eu: chega a contar mais do que a beleza. Os demais: são dois fatores centrais.</p>
<p>Como a subjetividade varia em algo tão cru da natureza humana!</p>
<p>E os médicos? Dá pra não temê-los? A razão de eu introduzir este tópico foi o pânico que CD &#8211; que estuda medicina &#8211; me causou via <em>Messenger</em> nos últimos meses. O ensino de homeopatia (!) é obrigatório no Brasil. Pior: há muitos analfabetos científicos no curso de medicina, capazes de afirmar que &#8220;nascem mais homens na Lua Cheia&#8221;! O debate não me deixou mais confiante. JôLou vai sempre em três médicos, e os três sempre discordam sobre o diagnóstico. CD deixou claro que, se quisesse, conseguiria se formar em medicina sem aprender porra nenhuma. Enfim. Medos!</p>
<p>Também coloquei em pauta outra coisa que venho notando, aliás relacionado com o problema acima: faculdades são horríveis! O que vi, nos últimos meses, de obras e atitudes intelectuais de quinta categoria produzidas por graduados e até PhDs não me deixou ter vontade de fazer faculdade &#8211; sinto que vai me atrapalhar, isso sim! Detalhe: estou falando exclusivamente do ponto de vista do conhecimento, sem incluir objetivos de carreira aqui. E fiquei surpreso quando pelo menos metade da turma ali concordou comigo! Eles <em>fazem faculdade</em> e concordam que estou muito bem sem ela. Continuo a analisar esta delicada questão&#8230;</p>
<p>Numa boa surpresa, Victor fez uma apresentação defendendo o valor do RPG. Foi ótima! Ainda lembro da época em que jogava <em>Vampiro &#8211; A Máscara</em>, interpretando um âncora de telejornal extremamente burguês e arrogante. Mas Victor defendeu de um modo inusitado: jogar é ótimo, claro. Mas <em>só ler</em> os livros de RPG é uma ótima idéia. Parece uma recomendação exótica, mas a defesa dele bem colou: há coleções de fatos interessantes nesses games, reunidas da melhor forma. Eu que já li, sem jogar, <em>Mago &#8211; A Ascensão</em>, só posso assinar em baixo. Digo, pra quem tiver tempo, rs.</p>
<p>Por fim, um tema que me foi muito caro: a ética dos debates. Foi minha chance de, sutilmente, reclamar da tendência pra-lá-de-inútil de ficar afirmando, durante um debate, o quanto o oponente está errado, ou como ele raciocina de um modo falho, ou que seu conhecimento é incompleto e sua literatura insuficiente para o ponto. Nas entrelinhas, está dito o seguinte: &#8220;que eu tenho razão, esta parte já é óbvia; agora só nos falta superar as tuas limitações e te convencer&#8221;. Dirijo esta pequena queixa a Diego, Victor e CD. Eles não escaparam da necessidade instintiva de intimidar o interlocutor com mais do que apenas argumentos. Outra falha: fazer cara feia enquanto alguém diz algo de que você discorda. Mais uma vez, é meramente instintivo. Mas atrapalha e é bom se livrar disso.</p>
<p>Em debates, só argumentos devem pesar. Nada mais.</p>
<p><strong>P. S.:</strong> CD parece discordar francamente disto. Pelo <em>Messenger</em>, ele realmente achou relevante sair da discussão principal, sobre a natureza da lógica, para a questão subjacente sobre como ele sabia mais sobre lógica do que eu &#8211; logo, eu só podia estar errado. Mesmo que fosse verdade, porém, não vejo como essa abordagem seja válida. E não ajudou CD afirmar que eu interpretava mal os dois livros que li &#8211; afinal, eu os li duas vezes cada. Ele jamais os leu. Não era eu uma &#8220;autoridade&#8221;, neste caso?</p>
<p>Essa foi a parte <em>menos filosófica</em> do tri-ei. O que vem a seguir é dinamite pura!</p>
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		<title>3EI 3 &#8211; Intuição</title>
		<link>http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-3-intuicao/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 04:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paralelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[O PAPEL DA INTUIÇÃO EM FILOSOFIA
Acho que todas as minhas posições recebem, em bloco, uma mesma objeção dos meus colegas &#8220;trieístas&#8221;: são posições que não consigo abandonar porque tenho o vício de pensamento de me aferrar às minhas intuições. É como se não me bastasse que os argumentos fizessem sentido, mas que, além disso, eu [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=77&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>O PAPEL DA INTUIÇÃO EM FILOSOFIA</strong></p>
<p>Acho que todas as minhas posições recebem, em bloco, uma mesma objeção dos meus colegas &#8220;trieístas&#8221;: são posições que não consigo abandonar porque tenho o vício de pensamento de me aferrar às minhas intuições. É como se não me bastasse que os argumentos fizessem sentido, mas que, <em>além disso</em>, eu precisasse que a conclusão fosse intuitivamente satisfatória.</p>
<p>Diante desta objeção eu sempre reitero que sequer estamos falando da mesma coisa quando usamos o termo &#8220;intuição&#8221;. As definições popular e técnica do <em>Houaiss</em>, contudo, me parecem espetacularmente adequadas como matéria-prima aqui:</p>
<p><strong>1</strong> <em>faculdade de perceber, discernir ou pressentir coisas, independentemente de raciocínio ou de análise.</em></p>
<p><strong>2</strong> <span style="color:#800000;">Rubrica: filosofia.</span><em><br />
forma de conhecimento direta, clara e imediata, capaz de investigar objetos pertencentes ao âmbito intelectual, a uma dimensão metafísica ou à realidade concreta.</em></p>
<p>Obviamente que até mesmo para um crítico da intuição tão extremo quanto CD a intuição <em>precisa</em> ter seu papel, dentro do raciocínio, se estivermos usando a segunda definição acima. Como, a contragosto, ele foi levado a admitir em conversa nossa no Messenger, a maneira pela qual ele <strong>sabe</strong> que, partindo de certos axiomas, você sem dúvida prova certas verdades, é <em>&#8220;olhando para o raciocínio e vendo que a prova faz sentido&#8221;</em>. Isto é exatamente a <em>forma de conhecimento direta, clara e imediata, capaz de investigar objetos pertencentes ao âmbito intelectual</em> de que fala a definição acima.</p>
<p>Ou você conta com <em>este</em> tipo de intuição, ou simplesmente não pode raciocinar. E é deste tipo de intuição que falo. A meu ver, o fato de que um argumento não fez o menor sentido, e o fato de ser intuitivamente insatisfatório, são a mesma coisa. Mas, pelo visto, estão pensando que falo de &#8220;intuição&#8221; quase no sentido de <em>pressentimento</em>. Sem dúvida, eu quero que as coisas &#8220;encaixem&#8221;. Se isto não é pedir por argumentos que façam sentido, então não sei o que é.</p>
<p>Se eu fosse um viciado por intuições no sentido vulgar, até hoje não aceitaria a teoria da relatividade, o heliocentrismo ou a estatística das quedas de avião. A verdade é que, no sentido que importa, estas coisas <em>fazem sentido</em>, o que é <em>o mesmo</em> que serem &#8220;intuitivamente satisfatórias&#8221; &#8211; apesar de serem contra-intuitivas no sentido mais vulgar. Mas sem dúvida este já não é o caso de certas interpretações da física quântica ou da lógica paraconsistente &#8211; interpretações que, por isso mesmo, se tornam suspeitas, tanto quanto a notícia de que um UFO em forma de &#8220;círculo quadrado&#8221; tenha sido visto por 100 mil pessoas no centro de Nova Iorque.</p>
<p>O que chamo de &#8220;intuição&#8221; nada mais é do que a capacidade, que <em>temos de ter</em> se nos julgamos competentes em raciocinar, para avaliar o que faz sentido e o que não faz. Mesmo para confiarmos num raciocínio básico do tipo &#8220;dado o conjunto A de axiomas, se P implica X, e P, então X&#8221;, precisamos &#8220;olhar pro raciocínio&#8221; para saber. É inevitável que, a certa altura, vejamos a verdade diretamente &#8211; do contrário, nada do que dizemos vale qualquer coisa.</p>
<p>E aí? Relativismo é tudo o que sobra no prato, se é que sobra.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>3EI 4 &#8211; A Razão</title>
		<link>http://aventurahumana.wordpress.com/2009/03/14/3ei-4-a-razao/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 03:54:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paralelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[A NATUREZA DA RAZÃO
Pra começar, existe uma ironia aqui. CD, Di e Vic são os que defendem que a razão não é tudo isso, isto é, que não é a fonte de autoridade universal que eu queria que fosse. E, no entanto, eles estão absolutamente certos disso. CD e Vic consideram francamente ingênuo, &#8220;vício de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aventurahumana.wordpress.com&blog=2837552&post=75&subd=aventurahumana&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>A NATUREZA DA RAZÃO</strong></p>
<p>Pra começar, existe uma ironia aqui. CD, Di e Vic são os que defendem que a razão não é tudo isso, isto é, que não é a fonte de autoridade universal que eu queria que fosse. E, no entanto, eles estão <em>absolutamente certos</em> disso. CD e Vic consideram francamente ingênuo, &#8220;vício de pensamento&#8221;, que eu ainda mantenha tal confiança na razão. Se a razão é tão insegura, eles não deveriam estar menos convictos? Eu pelo menos reconheço a força dos argumentos deles, embora &#8211; é óbvio, já que discordo &#8211; pense ver erros que eles não estão vendo.</p>
<p>O pomo da discórdia é facilmente esclarecido ao analisarmos o óbvio princípio da não contradição (PNC), segundo o qual é impossível algo ser A e não-A ao mesmo tempo &#8211; é impossível estar vivo e morto, por exemplo. Mas e então, <em>como sabemos disso?</em> Melhor: que <em>razão</em> temos para acreditar no PNC?</p>
<p>Aqui a divergência é colossal. Penso no PNC em termos de verdade, realidade e ontologia universais, independentes da mente humana. Já os demais pensam nele em termos de uma verdade local, criação humana, tanto quanto é verdade &#8211; num sentido broxante &#8211; que a passagem de metrô está custando R$ 2,55 ou que se a bola sair pela linha de fundo, no futebol, é escanteio: os sistemas lógicos são <em>nossas</em> criações, tanto quanto o sistema de regras do futebol ou da economia. O PNC, por exemplo, só é verdade dentro do <em>nosso</em> sistema formal de lógica clássica.</p>
<p>Eu sei do que estão falando. E eles sabem do que estou falando. Mas eu acho que eles estão falando de criações humanas arbitrárias e irrelevantes para a questão do fundamento da razão. Mesmo o sistema formal da lógica clássica, <em>enquanto mero jogo sintático de regras postuladas</em>, nada tem a ver com a lógica real. Mas, claro, eles por sua vez acham que eu estou falando de uma metafísica irreal, platônica, absurda.</p>
<p>Então voltemos ao PNC. CD diria que é graças aos axiomas da lógica clássica que o PNC é válido &#8211; e válido só <em>dentro</em> dela, diga-se. Os axiomas em si, é claro, são apenas convenções humanas. Ao contrário, eu diria que o PNC sobrevive intacto sem quaisquer axiomas por trás dele. Não existiam humanos e nem linguagem, e já era impossível que os planetas fossem esféricos e cúbicos. Ou seja: as necessidades lógicas não tem nada a ver com &#8220;sistemas de regras&#8221; criados por humanos. O que é impossível é impossível, ponto. Resta-nos perceber isto e nos conformarmos.</p>
<p>Neste ponto, vem a invectiva de CD: &#8220;prove logicamente que o PNC <em>tem que ser verdadeiro&#8221;</em>. Aqui não sei se estamos falando a mesma língua. CD só reconhece como &#8220;prova lógica&#8221; algo que seja baseado em regras, e pensa que só existem as regras humanas. Mas neste caso sou <em>eu</em> quem não vê uma <strong>prova lógica</strong> (poderosa, majestosa, irrefutável) aí, mas somente regras arbitrárias que afinal nada significam. Mas se o CD estiver falando minha língua e pedindo uma prova como eu a concebo, isto é, indubitável, objetiva e universal, então me parece <em>óbvio</em> que a impossibilidade do PNC ser falso seja, em si, argumento suficiente.</p>
<p>Claro, CD repete: &#8220;prove que é impossível o PNC ser falso &#8211; apenas afirmar isto de nada adianta!&#8221;. Ah, agora chegamos no horizonte de eventos do buraco negro! Pois eu acho que a <strong>razão</strong> &#8211; no que toca ao saber &#8211; é o meio lógico de distinguirmos o objetivo (realidade exterior) do subjetivo (realidade interior, do sujeito, do eu) e, por isso, digo que a falsidade do PNC é, mesmo enquanto possibilidade lógica, <em>totalmente inconcebível</em> para o sujeito e, tudo indica, objetivamente <em>impossível</em> &#8211; não só sabemos que pensamos, mas sabemos que pensamos <em>corretamente,</em> quando o fazemos.</p>
<p>Mas CD pensa que a <strong>razão</strong> é, na verdade, um sistema formal de regras criado pelo ser humano. Neste caso, o fato de ela endossar a validade do PNC não impede que outro sistema formal, diferente, trabalhe sem o PNC. Ou seja: o PNC é válido para a razão, mas a razão é só um sistema humano. Não faz sentido dizer que o PNC é válido para todos os universos e sistemas possíveis.</p>
<p>E, claro, todos me dizem em coro: quem disse que se algo é inconcebível <em>pra mim</em>, estou justificado em pensar que, por isso mesmo, é impossível? Talvez seja só o meu cérebro de primata me pregando peças. Talvez seja só meu <em>tipo</em> de pensamento, e meu <em>tipo </em>de lógica (humana, local), que são limitados demais para compreender a possibilidade de seres vivos <strong><em>e</em></strong> mortos. Afinal, como posso ter certeza de que não?</p>
<p>É exatamente neste ponto que os relativistas se detém, alegres.</p>
<p>Esquecem-se de que toda a cadeia de raciocínio que leva a esta conclusão é, ela própria, uma admissão implícita de que a razão é absoluta. Afinal, por que eu <em>deveria</em> concordar com o <em>argumento</em> de que meus raciocínios podem ser globalmente furados? Se não posso confiar em nenhum deles, não posso confiar na <em>argumentação</em> que me diz que eles podem não ser confiáveis&#8230; O argumento é inócuo e se auto-refuta. Sua conclusão, analisada a fundo, é ininteligível.</p>
<p>Como posso <em>acreditar</em> que a razão e a lógica não passam de um conjunto de regras formuladas por seres humanos? Com que espécie de <em>raciocínio</em> o CD pretende me convencer disto? Ele não pode me dizer que seu raciocínio é &#8220;perfeitamente lógico&#8221; e esperar que isto me seja persuasivo &#8211; pois ou &#8220;perfeitamente lógico&#8221; significa algo universal e irrefutável, e neste caso quem tem razão sobre a natureza da lógica sou eu, ou &#8220;perfeitamente lógico&#8221; significa &#8220;segundo certas regras humanas&#8221;, e neste caso a conclusão não é necessária &#8211; a não ser que, por acaso, as &#8220;meras regras humanas&#8221; sejam também absolutamente válidas. Mas aí, outra vez, eu teria razão.</p>
<p>Tudo isto significa, claro, que é impossível <em>argumentar</em> que a razão ou a lógica sejam meras contingências ou caprichos humanos, em qualquer sentido. Um raciocínio lógico correto é, por definição, algo universalmente verdadeiro. Se houvesse exceções, o raciocínio não seria correto, ponto. Argumentos e afirmações pressupõem razão e lógica &#8211; e não se trata de uma razão ou de uma lógica fundadas em &#8220;sistemas formais criados por humanos&#8221;, pois tais sistemas seriam por definição contingentes: se fossem necessários, seriam sistemas formais <em>descobertos</em> por humanos, e não criados.</p>
<p>Neste ponto o CD seria forçado a dizer: então razão e lógica <em>não existem</em>; só existem os sistemas formais humanos, contingentes e locais. Mas agora é pior: ele não poderia dizer nem mesmo isto! E não apenas porque é uma afirmação (portanto uma afirmação que pretende ser verdadeira e objetiva), mas também porque se razão e lógica (absolutas, não contingentes, universais) não existem, então todo o cimento que cola os tijolos sintáticos dos sistemas formais derrete e a casa cai. Pois até num sistema de regras arbitrário como o do futebol, ainda precisa ser verdade <em>absoluta</em> que, se decidimos que quando a bola sair pela linha de fundo será escanteio, então <em>será</em> escanteio &#8211; é <em>logicamente </em>impossível que não seja, dados os axiomas e as regras.</p>
<p>Diego ainda tentou me escamotear este ponto, dizendo que axiomas não geram &#8220;implicações lógicas&#8221; nem qualquer espécie de <em>conseqüência</em> ou <em>decorrência</em>. Que na verdade só existe o sistema formal inteiro, frio, com todas as suas &#8220;conseqüências&#8221; fazendo <em>imediatamente</em> parte do sistema. Mas isto não muda o ponto. Continua sendo impossível, e quero dizer <em>logicamente</em> impossível, que um trecho do sistema entre em contradição com outro trecho do sistema. Conde Di dá outro passo atrás: &#8220;neste caso, não seria o mesmo sistema; você saiu do jogo&#8221;. Mas agora é o abismo. Outro passo atrás e ele cai. Estou afirmando que, apesar da <em>lógica</em> utilizada por Di e CD, <em>é possível</em> que o sistema formal do futebol inclua <em>cestas</em> e <em>aces</em>, em vez de <em>gols</em>, <em>sem deixar de ser o sistema formal do futebol conforme nós humanos o concebemos aqui na Terra</em>. É verdade que somos muito limitados pra perceber como isto seja possível&#8230; Mas posso jurar que o povo <em>Zon</em> (raça alienígena inimiga dos Zin, que o Di aprecia) jogam o <em>nosso</em> futebol de tal modo que há cestas e aces nele. Fica bem mais emocionante, aliás!</p>
<p>Caindo no abismo: CD me diz que &#8220;a história dos Zon é impossível porque está na <strong>definição</strong> de &#8216;futebol&#8217; que não haja cestas e aces&#8221;. Sim, claro. Mas eis o ponto: os Zon, muito mais evoluídos que o CD, sabem que é perfeitamente possível um conceito contradizer sua definição. Simples assim. Não vá o CD, só por fé, insistir que a relação analítica entre o conceito e sua definição é <em>absolutamente</em> certa e válida. Vai cair na mesma metafísica que julga tão excessiva e gratuita.</p>
<p>(Afinal, a relação entre o conceito e sua definição [isto é, suas <em>partes</em>] é a <em>mesma</em> relação <em>logicamente dedutiva</em> entre o todo e suas partes, ou ainda a relação <em>matemática</em> entre o conjunto e seus elementos: se A contém B, então B está contido em A. Isto não é mais nem menos garantido que o PNC &#8211; é apenas <em>totalmente </em>garantido e auto-evidente, claro, mas isto é o que <em>eu</em> afirmo, não CD ou Di, rs)</p>
<p>É minha vez de, com Thomas Nagel, usar o Teorema de Gödel:</p>
<p><span style="color:#800000;"><em>&#8220;A verdade matemática não pode ser reduzida àquilo que é provável [passível de ser provado] num sistema axiomático, porque, primeiro, o fato de uma sentença ser ou não ser provável, em um dado sistema axiomático, é em si uma verdade matemática (de modo que o discurso reducionista pressupõe, em si, uma idéia precedente de verdade matemática)&#8230;&#8221;.</em></span></p>
<p align="right">- <em>A Última Palavra</em>, p.88</p>
<p>Fim da linha.</p>
<p>Talvez eu não tenha mostrado que a razão universal e absoluta existe &#8211; isso me exigiria outra linha positiva de argumentação, e aqui não é o local pra isso. Mas sei ter mostrado que não há substitutos plausíveis. É tudo ou nada aqui. Afirmar que a razão absoluta é uma ficção é algo ininteligível, pois esta própria afirmação é, em si, uma alegação de razão absoluta &#8211; isto é, pretende que é absolutamente certo e sem falhas o argumento que conduz à conclusão de que a razão absoluta é ficção. O único modo de desistir da razão é desistir de afirmações, de crenças, de pensamentos &#8211; ou fingir pra si que meras <em>paródias</em> podem fazer o trabalho, enquanto se usa a razão absoluta de forma oculta para apoiar as mesmas paródias.</p>
<p>Mais Thomas Nagel:</p>
<p><span style="color:#800000;"><em>&#8220;O verdadeiro caráter da razão não se localiza na crença em um conjunto de proposições &#8216;fundantes&#8217;, nem tampouco em um conjunto de procedimentos ou regras para extrair inferências, mas antes em todas as formas de pensamento para os quais não há alternativa. Isso não significa &#8216;não há alternativa para mim&#8217; ou &#8216;para nós&#8217;. Isso significa &#8216;não há alternativa&#8217;, ponto. Isso implica validade universal&#8221;.</em></span></p>
<p align="right">- <em>A Última Palavra</em>, p.82-83</p>
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