IEI 2 (Amoralidade)

Amoralidade x Moral e Ética
(Paralelo contra Todos!)

Um dos temas mais polêmicos! Cheguei a discutir pesado com o Diego, quando ambos morriam de sono às 4 da manhã. Mas preciso logo dizer: nenhum dos participantes acredita no realismo moral, ou seja, que exista uma “moral verdadeira e absoluta”. Diante disso, eu juro que fico perplexo em como podem, assim mesmo, se dizerem morais!

Uma moral subjetiva é tão interessante quanto uma religião onde se admite que Deus é um mito: qual é a graça? Você afirma “a atitude X é errada” mas, se pressionado, admite que ela não é errada “de verdade”, mas que isto é só um jeito de falar…

O argumento do Diego é: a moral não tem existência “fora de nós”, mas é algo humano – então por que descartá-la? Eu concordo que é algo humano, já que as emoções morais evoluíram por seleção natural (e o Di está plenamente de acordo com isso); mas o mesmo vale para ciúmes, xenofobia e desejo de vingança, e claro está que, mesmo sendo coisas humanas, é bom negócio nos vermos livres delas. Então, se devemos ser morais, que não seja por a moralidade ser “algo humano”.

Mas o argumento do Diego segue: assumir uma postura moral é algo positivo: é melhor tentar influenciar a moralidade das pessoas a seu favor, do que simplesmente sair do jogo e deixar as pessoas com seus preconceitos morais. Aqui aposto que confundimos conceitos. Mas minha sensação é a de que não saio do jogo por ser amoral: também tento persuadir as pessoas do que acho melhor. E, se estou certo, não troco os preconceitos morais delas por preconceitos morais meus, mas sim pela amoralidade.

Aí a questão final é: qual a melhor tática? Estou certo de que, para o Diego, o módulo mental da moralidade é algo a ser usado positivamente, e não desligado – como eu quero. Mas isto me cheira a trocar comportamentos conscientes e refletidos (diminuir o sofrimento e promover a felicidade alheia por perceber que é o melhor, do ponto de vista do auto-interesse – embora não sempre, contudo) por comportamentos instintivos e automáticos (fazê-lo por meramente “sentir que é certo”).

Vejo três motivos principais porque a moralidade é fútil e danosa:

1) É possível obter um resultado muito parecido abrindo mão dela (afinal, cooperar é melhor do que trapacear, mesmo para o egoísta frio e calculista – assistam House!)

2) A moralidade é um sentimento horroroso, que faz as pessoas se sentirem no direito (e no dever!) de prejudicar as outras sem motivo racional algum: punir homossexuais, negros, incestuosos, ociosos, etc. Mesmo quando o alvo é obviamente racional, como no caso de evitar a pedofilia, a moralidade mais cega do que ajuda, pois cria um tabu que nos impede mesmo de falar abertamente sobre o tema e, portanto, compreendê-lo – de modo a evitar melhor o sofrimento (o que, friso, é algo do interesse pessoal de qualquer um que enxergue mais do que um palmo à frente e tenha uma mente normal).

3) Argumentos são trocados por intimidação condenatória – não se apela à razão do interlocutor, mas à culpa! Isto é intolerável pra mim. O próprio Diego, lúcido como é, se exaltou algumas vezes dizendo “que absurdo!”, condenando atitudes que, se pressionado, ele mesmo precisa admitir que podem ser do interesse pessoal do praticamente e que, portanto, taxá-las de “erradas” e “más” não passa de uma tática de intimidação psicológica que pode funcionar ou não, mas que não possui nenhuma justificativa racional e nenhum poder legítimo de dissuadir o criticado.

Obviamente o Diego discorda violentamente, sanguinariamente de mim!

Cinicamente, atribuo isto ao fato de o Diego ser muito popular e não poder, honestamente, sustentar a amoralidade em público sem pagar uma pena enorme de desconfiança geral. E como mentir pra todos é algo emocionalmente horrível, a saída é se convencer de que, sim, ser moral é realmente possível e positivo (ele adora identificar os motivos emocionais por trás do que julga ser uma opinião insustentável dos outros – a vingança vem a cavalo, hahaha!).

Pierre e CD estão com o Diego, embora de forma branda – mas especialmente o CD parece sentir uma necessidade profunda de afirmar, substancialmente, coisas como “mentir para a namorada é (!) errado”. O que mais se aproxima de minha visão é o Vitor. Acho que ele é praticamente amoral, mas apenas prefere chamar de “morais” posturas que, no fundo (e ele sabe disso), não passam de altruísmo baseado em interesse próprio, tipo: “vou ajudar você porque isto me dá prazer”. Jogo de palavras. Acho que ele concorda comigo.

Continuo amoral. Os argumentos que ouvi estão longe de me convencer – mas admito que ainda não ficaram suficientemente claros. Por outro lado, sei que meus argumentos ainda não são persuasivos. Também ficou claro que preciso melhorá-los.

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16 Respostas to “IEI 2 (Amoralidade)”

  1. Jonatas Says:

    Para mim a divergência aqui (entre eu e você, e somente esta), é uma questão conceitual ou semântica. Deve haver uma confusão de conceitos, ou uma definição diferente de palavras que causa uma divergência nominal sem uma base real ou em termos práticos no mundo das idéias não-linguísticas ou no mundo real.

    A sua amoralidade é igual à minha moralidade. Eis a minha definição da palavra moralidade no que difere da sua: minha moralidade vai além da moralidade religiosa. É simplesmente a aplicação racional do sistema de valores intrínsecos que vejo no mundo, chamada moralidade devido àquilo que difere do sistema equivalente de outras pessoas. Se você acha que há uma diferença qualitativa fundamental que separe uma moralidade racional de uma moralidade religiosa, de forma que a primeira não deva se referir à mesma palavra, por mim tudo bem, é uma proposição original sua, também tenho minhas divergências com certas terminologias correntes.

  2. Diego Says:

    Paralelo

    Quero pontuar uma ignorância crucial do funcionamento psicológico da moral, que, na minha opinião, mina a possibilidade de ser amoral, como você alega ser.

    Moral, diferentemente do que você parece mostrar no texto, não é conteúdo. Moral é uma estrutura, independente de conteúdo. Assim como uma casa é uma estrutura, que preenchemos com móveis.

    Todos temos a estrutura subjacente a moral, simplesmente porque ela está em nossos cérebros, funcionando ativamente. É como se todos fossemos obrigados a ter uma casa, ela é inevitável.

    A questão que se coloca é que conteúdo vamos dispor nessa casa, ou seja, que crenças e desejos vamos colocar na nossa moral. Nossa inevitável moral.

    Podemos adotar a posição ignorante, que nem sabe que tem uma moral, mas vai acreditando no que os outros dizem (como é comum a 90% do mundo). Podemos adotar a posição inteligente, que é saber que temos um funcionamento moral, e utilizar o conhecimento de sua existência para, dentro do possível, manipulá-lo em direção aos fins que consideremos mais interessante. Podemos também adotar a postura que não é ignorante, ou seja, que conhece, e que não é inteligente, ou seja, não usa bem esse conhecimento. Essa postura daremos o nome, para não fugir da literatura, de burrice. Nela, apesar de sabermos que é inevitável ser moral, fingiremos que não somos morais, que podemos resistir a esses impulsos, e no fim seremos sujeitos aos mesmos tipos de preconceitos que os ignorantes.

    Não é exatamente assim, mas a idéia básica é essa… com o perdão da ironia.

    Quanto ao conteúdo da moralidade, cada um escolhe o seu, e de fato ser popular faz com que o conteúdo da minha moralidade tenha de ser mais preciso e mais declarado, se isso foi o que você quis salientar.

  3. Paralelo Says:

    Jonatas, concordo com você. E acho que sei onde vive a confusão que, aliás, confunde (claramente!) até o Diego. Uma coisa são as teorias morais ou amorais em si, outra é a ÁREA DO DISCURSO onde se debatem estas questões morais – o que quer que se defenda dentro desta área, será uma postura moral (referente à área moral!): até mesmo a AMORALIDADE.

    Ora, se você criar uma teoria maluca de que o céu não existe, de que é holograma posto pelo governo, isto ainda será uma postura astronômica, embora negue toda a astronomia. Grande coisa. A amoralidade é uma postura moral, naquele sentido trivial, oras. Não há contradição ou constrangimento aqui.

    Então, que venha o Diego

    Você argumentar que, porque a moral é um estrutura natural do cérebro, devemos ser inevitavelmente morais… Não dá (a não ser no sentido trivial de que ser amoral é uma postura moral, conforme dito acima, fora isso:). É bem possível que tenhamos uma estrutura religiosa análoga, e não precisamos ser religiosos. Temos uma estrutura que implementa os ciúmes com precisão, e não precisamos ceder aos ciúmes. Sem chance.

    Então, ser amoral é POSSÍVEL.

    A questão que se coloca é que conteúdo vamos dispor nessa casa, ou seja, que crenças e desejos vamos colocar na nossa moral.

    A amoralidade é um conteúdo pleno a ser defendido aí. Por que não seria? Significa que essa estrutura vai “rodar” sem o ACRÉSCIMO DA CRENÇA de que as emoções surgidas APONTAM PARA ALGO CONCRETO. O resultado é mais reflexão e menos automatismo. Eu continuo sentindo que certas coisas são “certas” ou “erradas” moralmente. Mas logo penso que são “apenas emoções” e o sentimento perde todo o “tônus” – basta não ser acompanhado da crença na objetividade. Então, eu decido por mim mesmo o que é melhor fazer, sem incômodos, sem culpas.

    Nela, apesar de sabermos que é inevitável ser moral, fingiremos que não somos morais, que podemos resistir a esses impulsos, e no fim seremos sujeitos aos mesmos tipos de preconceitos que os ignorantes.

    Meu ponto se mantém: não ACREDITAR que os sentimentos apontem para algo “correto by Deus”, como parecem fazer, ou que sejam desejáveis apesar de tudo, os empalidece automaticamente. Então, sim, podemos resistir a esses impulsos. É até fácil.

    No lugar deles, assumimos o comando com escolhas refletidas, não baseadas em emoções cegas.

    *****

    Agora, uma vez que é POSSÍVEL ser amoral e buscar convencer as pessoas disso (ou seja, não é preciso sair do jogo – não é porque não restam razões morais, que não restam razões pra convencer), resta a questão de se é uma melhor tática do que defender alguma moral.

    Meus motivos estão expostos no post.

  4. Diego Says:

    temos padrões automáticos de ativação intuiva no cérebro que funcionam de forma moral. Não podemos evitá-los sempre, embora muitas vezes suas respostas passem pelo escrutínio de nossas crenças morais (racionais ou não) antes de emitirmos um comportamento.

    Quando não dá tempo de pensar, ou seja, ativação moral do módulo moral, ou quando dá tempo de pensar, ou seja, ativação moral do módulo moral, seguida de possibilidade de inibição por parte de crenças morais particulares, em ambos os casos somos influenciados por um corpo de crenças precedentes do tipo moral.

    Para citar um exemplo, estacionamento pago em geral custa mais o menos o mesmo que estacionar em locar proibido, no entanto por ser moralmente incorreto, não estacionamos em local proibido, mesmo que uma análise estrita de custo benefício talvez nos levasse ao oposto. (Conte 2003)

    Não podemos evitar ter fortes crenças sobre as coisas, que influenciam nossas decisões.

    Por um lado, podemos fazer o possível para travar essas crenças e repensar tudo tin tin por tin tin quando for o caso usando o máximo de razão possível.

    O outro estratagema é usar a razão PARA construir essas crenças morais fortes (por exemplo forçando-nos a um ambiente em que as crenças morais são aquelas que desejamos ter, facilitando aderirmos a elas)

    Eu uso o segundo estratagema porque acho inevitável ter crenças fortes e morais a respeito das coisas. Além disso tem a questão salientada de que quando você é popular, ser previsível e ter um comportamento de rotina é importante para que ninguém, digamos, te perca de vista.

    O primeiro estratagema é possível. Mas ele falha sempre que a decisão tem de ser rápida, ou esquecemos de pensar, ou somos demasiadamente dominados por uma crença moral sem percebermos.

    O que quer que se queira dizer então com ser amoral é possível, não diz respeito a um comportamento que me pareça interessante.

  5. Paralelo Says:

    Diego,

    gostei de ver você assumir que “quando você é popular, ser previsível e ter um comportamento de rotina é importante para que ninguém, digamos, te perca de vista”. Você poderia ir mais longe e admitir que ser amoral, pra você, simplismente não é uma opção – graças aos preconceitos das pessoas.

    Eu posso ser amoral porque sou um “pária” capaz de me cercar só das pessoas capazes de compreender minhas idéias.

    Mas, engraçado. Quem disse que ser amoral impede você de ter um “comportamento de rotina”? Insisto: quando as razões morais somem, ainda restam as razões. Seja lá o que eu fizer, não será ARBITRÁRIO só porque sou amoral: será com base em opiniões racionais! E estas automaticamente me levam a agir de maneira previsível; não preciso “fazer manutenção” do meu comportamento através de frustração auto-inflingida – quando meus desejos vão contra o que julgo “certo”. Aliás, caso impossível na amoralidade, onde meus desejos ditam o que julgo certo – e, por sinal, eis a distinção fundamental!

    E só parece assustador por causa de uma visão muito caricata dos desejos humanos, que exclui compaixão, amor, fascínio, vontade de cooperar, etc. (todas essas emoções naturais são ridiculamente consideradas fruto da moralidade adotada, quando são independentes dela). Salvar uma pessoa da morte é algo que eu gostaria de fazer por que me dá prazer, não por que é “certo”! E é o que as pessoas fazem na verdade, mas aproveitam para se propagandear como abnegadas altruístas que só perderam pessoalmente com aquilo (quando tiveram prazer, ganharam simpatia dos outros, aliviaram o stress, etc.).

    Tomemos o exemplo do estacionamento: por que não estacionar em local proibido? Eu sou amoral, e não o faria. Por quê? Simples: não quero lidar com a hostilidade das pessoas, que eu sei que SÃO morais (e por isso são hostis, diga-se…). Isso é emocionalmente incômodo, desprazeroso. O que isso significa? Que a “análise custo-benefício” de estacionar deve incluir na balança minhas emoções de desconforto em lidar com hostilidade.

    Já se ninguém for me ver estacionar em local proibido – ah, aí até muitos dos ditos “moralistas” estacionam no ato.

    Não venha chamar isso – “só penso em meu prazer pessoal” – de “postura moral” só porque ela diz respeito à área do discurso moral. Isso é trivial e fútil. Substancialmente, é uma postura amoral: não tenho considerações para além de meus desejos e os meios racionais de satisfazê-los.

    E isso faz com que eu não hostilize qualquer pessoa por razões morais: todas estão buscando o melhor pra si, sendo racionais (com maior ou menor qualidade, é claro). Posso hostilizá-las por outros motivos, é claro, se me prejudicarem pessoalmente: mas isso não seria indignação moral, seria raiva e desejo de vingança!

    Aqui, há algo que confunde a intuição das pessoas: “como você pode querer impedir o assassino se concorda que, do ponto de vista dele, é CORRETO matar?”. Mas “correto” é a palavra errada, se com ela se evoca uma declaração moral. Melhor seria dizer “racional”. E é racional a partir dos objetivos dele, e não dos meus, que são diferentes! Não há contradição. Só há conflito de interesses. E, óbvio, a sociedade está racionalmente justificada (com base em seus objetivos) em prender assassinos. Isso não basta? É preciso acrescentar o rótulo vazio de que eles estavam “errados”?

  6. Jonatas Says:

    Deixe eu me intrometer aí… com uma observação: Paralelo, primeiro, concordo com a sua conceituação de “área do discurso”, está correta. Segundo, sua moral parece estar se referindo a algumas coisas e não outras que fazem parte da minha. Sua crítica vale para a sua definição de moral mas não vale para uma definição mais abrangente como a minha, por isso creio que possa haver uma incompatibilidade nos nossos conceitos de moral.

    Naquilo que nossa palavra “moral” tem em comum estão os “instintos morais”, como no artigo do Steven Pinker sobre uma visão evolutiva dos instintos de moral. Estão também os mandamentos morais da religião, em todo o seu ridículo.

    Se vc se considerar então amoral em relação a essa definição de moral não será diferente de mim.

    Falta na moral a inclusão do seguinte, vejo eu: as leis, o direito, que são uma forma de moral rígida, como a religião, embora destituída em parte do sentido emocional e mais racionalizada, incluídos aí também as convenções e os contratos; a moral racional, que define a ação que é produtiva ou contraprodutiva (certa ou errada) para algum objetivo.

    Se vc se declara amoral quanto ao parágrafo último temos uma divergência.

  7. Paralelo Says:

    Jonatas: a moral racional, que define a ação que é produtiva ou contraprodutiva (certa ou errada) para algum objetivo.

    Isso, escrito assim, me é sinônimo de amoralidade.

    Perceba: não há nada constrangendo os objetivos. Se acaso tivéssemos o desejo de prejudicar os outros, continuaria sendo racional fazê-lo. E essa “moral racional” assinaria embaixo. Então, por que chamar de “moral”?

    Eu só consigo chamar de “moral” uma postura que vai além dos desejos. Se não for, se os desejos forem tudo (como são pra mim), então chamo isto de amoralidade. É a base da minha distinção. Só é racional (eu não disse correto ou bom, pois rejeito a terminologia moral) agir com base no interesse pessoal, nada mais.

    Como eu disse, é preciso salvar vidas por que isto dá prazer, e não por que “é certo”.

    Quando os desejos desaparecem, nenhuma moral é capaz de evitar o dito “mal”. Pegue um psicopata, em tudo o mais normal, mas que tem suas áreas cerebrais de “culpa” e “medo de retaliação” desligadas… Colocá-lo num Curso de Ética, durante 15 anos, não vai fazer absolutamente nada para convencê-lo de não prejudicar os outros: para ele, É racional fazer isso!

    Cabe a nós, seres de mente saudável que por acaso têm prazer na cooperação, detê-lo. É do nosso interesse fazer isso.

  8. Jonatas Says:

    A questão era a nomenclatura, afinal… 😀

    Acho que eu, e o Diego também, chamamos sua amoralidade de moral, por fazer parte da mesma “área de discurso” moral.

  9. Paralelo Says:

    Depois que o Diego me falou, ao vivo, que pensava que nossa discordância também era caso de nomenclatura… E ele até chegou muito perto de fazer as concessões que eu penso serem necessárias para isso tudo ser coerente – quer saber? Ele fez as concessões! – então continuo achando extremamente constrangedor isso de vocês se dizerem “morais”, evocarem a “regra de ouro” como coisa que “deve” ser seguida, e outras patifarias semi-metafísicas…

  10. Jonatas Says:

    Acho que não somos apenas nós que nos dizemos morais, essa é a maneira como isso é visto no meio filosófico/acadêmico (acho eu).

  11. Jonatas Says:

    Achei algumas definições na Wikipedia que acredito que se adaptem a uma classificação considerada oficial do assunto:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Ethics (em inglês)
    http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tica (em português)
    http://en.wikipedia.org/wiki/Morality (em inglês)
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Moralidade (em português)
    http://en.wikipedia.org/wiki/Moral_skepticism (em inglês)

    Parece que moral e ética não são, propriamente, bem a mesma coisa. Ética é definida em diferença à moral como “o estudo sistemático filosófico do domínio moral”. Existe ainda o ramo da meta-ética, que estuda “a natureza fundamental da moral e da ética em si, incluindo se têm alguma justificação objetiva.”

    http://en.wikipedia.org/wiki/Meta-ethics (em inglês)

    Sugiro que leia os artigos em inglês, pois têm um nível bem mais alto que os em português, com o auxílio de um tradutor, como o do Google:

    http://translate.google.com/translate_t

    Aqui estão links diretos para as traduções das páginas em inglês mencionadas (a tradução é bem decente):

    Ética:
    http://translate.google.com/translate?u=http%3A%2F%2Fen.wikipedia.org%2Fwiki%2FEthics&langpair=en%7Cpt&hl=en&ie=UTF8

    Moral:
    http://translate.google.com/translate?u=http%3A%2F%2Fen.wikipedia.org%2Fwiki%2FMorality&langpair=en%7Cpt&hl=en&ie=UTF8

    Ceticismo moral:
    http://translate.google.com/translate?u=http%3A%2F%2Fen.wikipedia.org%2Fwiki%2FMoral_skepticism&langpair=en%7Cpt&hl=en&ie=UTF8

    Meta-ética:
    http://translate.google.com/translate?u=http%3A%2F%2Fen.wikipedia.org%2Fwiki%2FMeta-ethics&langpair=en%7Cpt&hl=en&ie=UTF8

    Abraços

  12. Geraldo, S. Says:

    Caro Paralelo,
     
    Estava eu aqui, quase acreditando que poderia estar solitário – ou bem perto disso, você deve saber como é – no mundo, e eis que encontro seu blog! Antes de chegar aqui, no entanto, andei me… de certo modo, frustrando por aí. Pelos confins da Internet.
     
    Minha (quase consumada) frustração mais recente encontra-se devidamente “documentada” (talvez “virtualizada” seja um termo melhor aplicável), e eu acredito que isso possa a vir, quem sabe, acrescentar algo à discussão que se fez em curso aqui. Além do potencial de abranger seu “repertório racional” sobre alguns aspectos relevantes como “Altruísmo” e “Suicídio”.
     
    Segue o link, a você ou qualquer visitante futuro que deseje degustar um pouco mais desse debate:
     
    http://bonecapensante.wordpress.com/2010/12/15/o-frankenstein-da-pos-modernidade/#comments

  13. Paralelo (Lauro Edison) Says:

    Hey Geraldo!

    Bom que viestes parar aqui. Imagino a sensação de desgraça que foi levar o debate acima adiante, hehehe. Mas também, convenhamos, você pediu por isso! Debater seja o que for com estudante de Ciências Sociais?! Aquilo é a própria lixeira intelectual do meio acadêmico – que em si já é um lixo. Não presta? É nonsense? É contraditório? É vago? Então coloca na grade curricular de Ciências Sociais! =D

    Não li nem um terço, mas vi a mocinha (boneca não pensante, hehe) admitir, lá pro fim, o que ela deveria ter estampado já no cabeçalho do blog:

    “Sinto te informar, mas vc n me convencerá… rsrs
    E olhe que eu sou uma criatura aberta a mudar meus conceitos, mas eu diria que há alguns conceitos ‘pétreos’ e este é um deles.”

    Whatever… Já recebi muita reclamação de ser preconceituoso e fechado, mas você vai dar trela pros medíocres, e dá nisso aí.

  14. Geraldo, S. Says:

    Quer saber?! Poderia ter sido pior! Mas minha disposição cede gradativamente em determinadas circunstâncias; meu impulso, quando há, acaba sendo o “laboratório humano” em alguns casos.

    Vou compensar minha falta de razoabilidade e transcrever alguns trechos relevantes a esta discussão para cá, a fim de que não seja estritamente necessário consultar o link:
     
     
     
    Tudo o que você faz conscientemente, tudo o que eu faço conscientemente, sem qualquer excessão, é para, em última instância, nos satisfazermos (ao Ego).

    Do filantropo que divide seu almoço para se sentir bem com o sorriso do próximo ao misantropo rancoroso e manipulador, a Satisfação Pessoal é nosso agente motivador exclusivo. Imperativo. Cujos impulsos se dividem em Emocionais e Racionais.

    “Altruísmo”, puro como se concebe, não existe. É impossível sacrificar a própria Vontade; pois, quando supostamente é feito, assim o é por nosso desejo. Somos escravos do que queremos.

    (…)O desejo (legítimo) do “Bem” alheio é seu. É meu. E aliás, por vezes diverge do próprio “Bem” concebido por esse alheio.

    O “Bem” do Próximo Pode ser um desejo movido por sua Racionalidade ou sua Emotividade (instintiva), por minha Racionalidade ou por minha Emotividade (instintiva), mas é seu, é meu. É você buscando se satisfazer através do Outro. Sou eu buscando me satisfazer através do Outro.

    A deixa: moralidade, via de regra só faz sentido real para o Indivíduo nos casos em que pode-se acrescentar um “a” à sua frente. Ou seja, seguir padrões externos, salvo algumas excessões, só se mostra uma atitude otimizada quando não há conflito intenso com diretrizes pessoais. Diga-se de passagem, oposto do que comumente ocorre.

  15. Paralelo (Lauro Edison) Says:

    É bem por aí, creio. Mas desconfio que não existe uma impossibilidade de princípio ao real altruísmo. Creio que uma pessoa pode, conscientemente, decidir se prejudicar (de verdade, e não aparentemente) em favor dos outros. Não terá prazer ou compensações que compensem em retorno. Terá apenas a sensação boa de ter “feito o certo” – mas de tal modo que isso não compense o desastre auto-imposto.

    Isto seria altruísmo verdadeiro.

    Creio-o possível.

    Pura e simplesmente, o acho estúpido e irracional.

  16. Geraldo, S. Says:

    Não terá prazer ou compensações que compensem em retorno, ainda assim irá estar satisfazendo à sua Vontade. Com a parte da estupidez irracional eu concordo. E pior: estupidez irracional voltada — como não poderia deixar de ser — à satisfação de uma Vontade particular — talvez tenhamos aí, enfim, um conceito para “Altruísmo Verdadeiro”.

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