IEI 9 (Família)

Família e Filhos x Amigos e Amantes
(CD & Pierre contra Diego & Paralelo)

Não lembro o posicionamento do Vitor aí, e a “súmula oficial” não o diz.

Sou da opinião de que os genes nos programaram para reproduzir (a parte óbvia) e que isto não coincide com a felicidade. O prazer e a dor são botões biológicos que os genes apertam para nos levar a propagá-los, e muitas formas de prazer imediato vêm logo acompanhadas por efeitos colaterais dolorosos ou, no mínimo, inconvenientes. Mas desde que nos tornamos racionais, começamos a ser capazes de driblar as táticas genéticas, e obter somente o prazer, sem arcar com o preço que os genes costumam cobrar para obtê-lo.

Um exemplo cristalino: sexo e filhos. Tem coisa fisicamente melhor que sexo? Mas tem coisa pior do que um filho na hora errada? Por centenas de milhares de anos, só podíamos ter aquele prazer pagando, necessariamente, o preço da gravidez – fosse desejada ou não. Isto infelizmente tornou as mulheres abusivamente seletivas (¬¬), pois pra elas o sexo significava nove meses difíceis e toda a infância e adolescência do rebento! Nem preciso dizer que, para o homem, sexo pode significar praticamente só o prazer…

Mas aí chegou a camisinha! Yeah!

Uma pena, nossos genes não tiveram tempo de “descobrir” isto e, claro, as mulheres continuam nascendo com uma psicologia seletiva… ¬¬

Mas estou digressionando (! É assim… Vi no dicionário!). Queria dizer que hoje, racionais que somos, já podemos ter o prazer do sexo sem pagar a gravidez, se quisermos. E é claro que isto nos deixa mais felizes do que a situação natural!

Então, estabeleci o princípio. Diego deve estar entusiasticamente de acordo.

E então? Será que formar família e ter filhos é um mau negócio, ao qual apenas somos induzidos pela nossa programação interessada em espalhar genes, e do qual faríamos bem em nos livrar? Penso que sim. Na verdade, acho até óbvio.

Filhos são parasitas, não abro.

Temos a doce ilusão de que nossos filhos serão crianças especialmente do nosso agrado, mas basta lembrar dos seus tios e tias irritantes (e sobretudo os tios e tias irritantes do seu parceiro!) para ver que não é isso: nossos filhos terão combinações aleatórias de genes, e pode dar qualquer coisa.

Obviamente, os genes não nos deixariam avaliar objetivamente nossos rebentos aleatórios e, por isso, nos drogam – sobretudo as mulheres – com um prazer absolutamente gratuito em nos esfolar em nome de um ser frágil e exigente (e ingrato!). Sim, temos esse prazer natural – mas duvido que ele justifique o esforço. A vida de privações e obrigações que os pais costumam levar não me atrai nenhum pouco.

Além do mais, considero de um mau gosto terrível gostar de alguém por razões químicas arbitrárias: se sua mãe fosse sua vizinha, você não veria nada demais na pessoa que ela é! O mesmo vale para seus filhos. Já os amigos e amantes, estes se escolhe! E se pode gostar deles por motivos reais, genuínos.

Esse é meu ponto.

O assunto foi só brevemente levantado, e o CD e o Pierre não fizeram nenhuma defesa do valor da família que eu consiga lembrar – apenas comentaram que têm vontade.

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11 Respostas to “IEI 9 (Família)”

  1. Jonatas Says:

    Tenho que concordar com Amigos e Amantes. Até consideraria a possibilidade de me casar, mas dificilmente aceitaria ter filhos. Acho que especialmente as pessoas mais pobres e menos privilegiadas geneticamente deveriam pensar assim, pena que é o contrário.

  2. Diego Says:

    seu argumento é bem persuasivo, principalmente a parte do gostar de alguém quimicamente, e o que vc pensaria da sua mãe se fosse sua vizinha.
    Pôs-me em ainda mais dúvidas.

  3. Paralelo Says:

    Como para dar crédito às mulheres (tema do outro tópico), devo dizer que o argumento da “sua mãe como sua vizinha” é, a pleno título, da Letícia 😉

  4. Paralelo Says:

    😮 não sabia que cabiam emoticons nesse blog!! Só digite isso: “;” e depois isso “)” e saiu o emoticon!

  5. Diego Says:

    É com raro prazer que posso apresentar um encerramento a esse debate…

    O raro prazer da evidência empírica, The pleasure of finding things out, para não esquecermos do grande feynman.

    Pois bem, Eu e o Paralelo vencemos. Não ter filhos é melhor do que tê-los, ponto final, valores absolutos.

    http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1202940,00.html

  6. Pierre Says:

    pô. o lado que eu tô que não fui eu que escolhi perdeu?

    não disse que filhos não são desagradáveis. mas creio que há uma possibilidade de eu sentir uma estranha necessidade de acompanhar o crescimento de uma criança nos meios que eu propiciei.

    o argumento conseguirá prevalecer sobre estes sentimentos estranhos?

    só deixo aberto a possibilidade.

  7. Pierre Says:

    existem outros eventos na nossa vida em que a tal “felicidade” é concentrada em pequenos subeventos dentre outros subeventos muito desagradáveis. no fim destes, fazemos um questionável balanço de tudo e dizemos “olha só. até que foi bom isto tudo ai”.

    um deles se chama: faculdade ou vestibular.
    quem gosta de passar a noite em claro estudando ou acordar cedo todo dia não sabendo se a aula renderá o suficiente.

    mas estranhamente continuamos nela, porque o tal balanço sai positivo no fim (e durante também vai).

    com filhos o mesmo. você os deixa te enchendo o saco a semana inteira, para que um dia eles façam algo para te deixar feliz e manterem a razão de sua existência. se você não conseguir doutriná-los para isto e eles forem desagradáveis para o resto da vida, é azar o seu.

  8. Jonatas Says:

    Uma questão parecida com o debate do utilitarismo? Foi dado a entender que a felicidade vale mais que as preferências. Nossas preferências não são necessariamente o que nós gostaríamos se soubéssemos perfeitamente o seu resultado futuro. E esse resultado é em termos de qualidade da experiência subjetiva (felicidade)?

  9. diegocaleiro Says:

    Dá para pensar em 4 grupos de coisas

    As que consideramos boas e felizes a posteriori, lembrando-as, mas não durante (vestibular, maratona, filhos)

    as que consideramos boas na hora, mas não a posteriori (drogas as vezes, zoar da cara de alguém, ir para uma balada ao invés de estudar)

    As que consideramos boas na hora E a posteriori (sexo, boas piadas, pinker)

    As que consideramos ruins na hora e ruins a posteriori (chutar a quina da parede…..)

    Existem formas diferentes de utilitarismo. Dependendo de valorizar o tipo 1 ou 2 de “felicidade declarativa”. Ou seja, o que interessa é a felicidade de fato, ou a felicidade declarativa a posteriori? Ou um enlace dos dois?

  10. Jonatas Says:

    Um enlace dos dois, assim: a felicidade de fato, mais a felicidade gerada ao lembrar do que aconteceu. Bons exemplos.

  11. Paralelo Says:

    Ah, acho todo esse cálculo muito simples: conheça seus desejos, e saiba os efeitos colaterais negativos (se houver) em realizar cada um deles – sejam desejos de curto, médio ou longo prazo.

    Calcule dor e prazer, tédio e alegria, tristeza e felicidade.

    Escolha sabiamente.

    Obviamente, quando mais longe sua visão alcança, mais otimizada será sua escolha, e isso é tudo.

    No caso da família e filhos, eu aposto que as recompensas – que existem! – em arcar com essa escolha estão muito longe de compensar o investimento. E o texto que o Diego linkou só parece confirmar isso.

    O pior de tudo é não poder mudar de idéia: uma vez pai ou mãe, você é forçado por lei a continuar nesse papel, e constrangido pela moral a gostar e/ou fingir que está gostando. Péssimo, putz.

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