3EI 1 – As Pérolas!

PÉROLAS DO TRI-EI

É impressionante como, no meio dos blá-blá-blás dos debates, saem frases que são verdadeiras obras de engenharia do absurdo:

“Não… Isto aí é o substrato ontológico genérico”
– Carlos Daniel, “explicando” algo sobre… algo?

“A Biologia é um chute”
– Pierre Carradec – fora de contexto, mas disse!

“Cada um fala em silêncio, por favor!”
– Lauro Edison, parece que sobre a telepatia.

“Você não pode fazer um argumento por apelação etimológica”
– Diego Caleiro, fundando um novo tipo de falácia.

“O infinito está ali, ponto!”
– Lauro Edison, recorde de dogma mais ganancioso.

“Peraí, deixa eu variar os mundos…”
– Victor Martini, ocupado com um raciocínio pelo visto muito pesado.

“Onisciência – seu epistemológico é o ontológico”
– Diego Caleiro, descobrindo a essência de Deus.

“Se há 300 opções, posso escolher e só pode ser aleatoriamente. Não há determinismo nenhum nessa porra!”
– Lauro Edison, vítima da distorção da mente encarnada.

Quando falávamos sobre Kripke e seus mundos possíveis, designadores rígidos para conceitos e nomes, estrela da manhã e da noite (ambas são Vênus), verdades necessárias a posteriori e contingentes a priori, o tema ficou tão confuso e enrolado que JôLou mandou essa série de confissões:

“Eu não sou homem!” [ok, estava implícito: “e sim apenas um nome, neste exemplo”]
– João Lourenço, quase saindo do armário graças à metafísica de Kripke.

“Eu posso ser o João do dia e o João da noite. O João da noite é mulher”
– João Lourenço. Bom… Saiu do armário de vez.

“Eu rigidifiquei o CD” [num uso interessante dos designadores rígidos de Kripke]
– João Lourenço, afinal entrou em ação!

“Não passem chocolate com cacau 85% no pau”
– João Lourenço. Bicha pós-moderna.

Noutras tantas, falávamos sobre certos homens que nascem com vantagens de cognição femininas – por exemplo, capazes de prestar atenção em mais de uma coisa. Alguém disse: “é, são mulheres…”. Diego, num clássico do machismo, e vaidosamente erguendo o dedo, declamou: “São supermulheres!”

Mas nem só de abobrinhas se entope o báu do tri-ei.

Em uma frase, Victor pode ter derrubado todo o sistema ontológico que defendi no bi-ei, o neomaterialismo. Basicamente ele disse que “Ser é ser algo. Isso me fez pensar bastante. Não existe “simplesmente ser”, o “ser puro” de Parmênides. Ser é ter propriedades, o que pode jogar por água abaixo minha ontologia. Belo insight! Ainda vou pensar melhor nisso.

Em outra frase, puxada de Wittgenstein no momento exato, CD me tirou uma angústia filosófica que eu julgava irrespondível: como é possível que nosso campo visual tenha limite, mas nós não vejamos este limite? A resposta súbita e completa: “Para ver uma fronteira é preciso ver o outro lado da fronteira”. Pronto, estou curado!

Por fim, e fabuloso, Pierre propõe um teste para a idéia de que a visão em cores é determinada pela linguagem. Alega-se que certos povos possam perceber menos tons de verde, por exemplo, por ter poucas palavras para “verde”. Mas então é só lhes mostrar duas fotos de bolas verdes iluminadas: uma com um degradê perfeito (do verde claro até o verde escuro) e a outra, com péssima qualidade, com um degradê quebradiço, que inclua no máximo uns seis ou oito tons de verde. E voilà: se a tese ali for correta, é de se esperar que o povo enxergue as duas bolas como quebradiças, em vez de ver a variação gradual, e sem quebras, que nós vemos na primeira.

=)

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