3EI 2 – Menos Filosóficos…

TEMAS MENOS FILOSÓFICOS

Apesar de tudo, falamos de vários temas nem tão filosóficos. Por exemplo, Diego, que passou um tempo nos EUA, fez uma apresentação sobre como conseguir fazer pós-graduação, sendo brasileiro, numa grande faculdade como o MIT ou Oxford. Conclusão: esforce-se o dobro do que é possível para ter 1% de chance de chegar perto da oportunidade de, ocorrendo algum erro no sistema, você dar sorte. Pois a cada 5 vagas há 50 pessoas melhores do que você, das quais 10 ainda contam com recomendações ilustres de estrelas como Putnam ou Dennett. Ou seja: não dá.

Outra: perguntei se música ainda é arte. Penso que não, como deixei claro aqui. Todos acharam a afirmação radical, mas concordaram que a música, agora que cai da net em torrentes grátis, já não é mais a mesma: antes era possível se unir às pessoas com base em gostos musicais. Hoje é algo pessoal, e dificilmente se acha alguém que compartilhe seus gostos – tornou-se um fator separatista. Há músicas em excesso pra cada nuance do gosto humano. E, como com as religiões, músicas perdem sua força quando vemos que as nossas não são especiais. Quem acha música clássica realmente melhor do que pagode? Só CD, o mais purista da turma, se atreveu a dizer sim. Os outros já sabem que seus gostos são arbitrários – o que torna a música pálida.

Ah! Éramos seis homens ali. Claro que debatemos algo sobre sexo – foi o único fio carnavalesco que tivemos nesse Carnaval (além da moça de biquíni que passou por ali, paralisando completamente um debate). Era a questão de se a atração sexual, por parte dos homens, conta exclusivamente com a beleza feminina, ou inclui – e o quanto inclui? – a personalidade da mulher no pacote. Diego: personalidade praticamente não conta. Eu: chega a contar mais do que a beleza. Os demais: são dois fatores centrais.

Como a subjetividade varia em algo tão cru da natureza humana!

E os médicos? Dá pra não temê-los? A razão de eu introduzir este tópico foi o pânico que CD – que estuda medicina – me causou via Messenger nos últimos meses. O ensino de homeopatia (!) é obrigatório no Brasil. Pior: há muitos analfabetos científicos no curso de medicina, capazes de afirmar que “nascem mais homens na Lua Cheia”! O debate não me deixou mais confiante. JôLou vai sempre em três médicos, e os três sempre discordam sobre o diagnóstico. CD deixou claro que, se quisesse, conseguiria se formar em medicina sem aprender porra nenhuma. Enfim. Medos!

Também coloquei em pauta outra coisa que venho notando, aliás relacionado com o problema acima: faculdades são horríveis! O que vi, nos últimos meses, de obras e atitudes intelectuais de quinta categoria produzidas por graduados e até PhDs não me deixou ter vontade de fazer faculdade – sinto que vai me atrapalhar, isso sim! Detalhe: estou falando exclusivamente do ponto de vista do conhecimento, sem incluir objetivos de carreira aqui. E fiquei surpreso quando pelo menos metade da turma ali concordou comigo! Eles fazem faculdade e concordam que estou muito bem sem ela. Continuo a analisar esta delicada questão…

Numa boa surpresa, Victor fez uma apresentação defendendo o valor do RPG. Foi ótima! Ainda lembro da época em que jogava Vampiro – A Máscara, interpretando um âncora de telejornal extremamente burguês e arrogante. Mas Victor defendeu de um modo inusitado: jogar é ótimo, claro. Mas só ler os livros de RPG é uma ótima idéia. Parece uma recomendação exótica, mas a defesa dele bem colou: há coleções de fatos interessantes nesses games, reunidas da melhor forma. Eu que já li, sem jogar, Mago – A Ascensão, só posso assinar em baixo. Digo, pra quem tiver tempo, rs.

Por fim, um tema que me foi muito caro: a ética dos debates. Foi minha chance de, sutilmente, reclamar da tendência pra-lá-de-inútil de ficar afirmando, durante um debate, o quanto o oponente está errado, ou como ele raciocina de um modo falho, ou que seu conhecimento é incompleto e sua literatura insuficiente para o ponto. Nas entrelinhas, está dito o seguinte: “que eu tenho razão, esta parte já é óbvia; agora só nos falta superar as tuas limitações e te convencer”. Dirijo esta pequena queixa a Diego, Victor e CD. Eles não escaparam da necessidade instintiva de intimidar o interlocutor com mais do que apenas argumentos. Outra falha: fazer cara feia enquanto alguém diz algo de que você discorda. Mais uma vez, é meramente instintivo. Mas atrapalha e é bom se livrar disso.

Em debates, só argumentos devem pesar. Nada mais.

P. S.: CD parece discordar francamente disto. Pelo Messenger, ele realmente achou relevante sair da discussão principal, sobre a natureza da lógica, para a questão subjacente sobre como ele sabia mais sobre lógica do que eu – logo, eu só podia estar errado. Mesmo que fosse verdade, porém, não vejo como essa abordagem seja válida. E não ajudou CD afirmar que eu interpretava mal os dois livros que li – afinal, eu os li duas vezes cada. Ele jamais os leu. Não era eu uma “autoridade”, neste caso?

Essa foi a parte menos filosófica do tri-ei. O que vem a seguir é dinamite pura!

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Uma resposta to “3EI 2 – Menos Filosóficos…”

  1. Carlos Daniel Llosa Says:

    I said no such thing.

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