Escrever é F*** O Valor de Escrever

Nós, seres esquisitos que escrevemos coisas, gozamos de um ponto de vista que é privilegiado, em relação aos que também gostam de idéias, mas não escrevem.

Explico:

Tem sido bastante normal, pra mim, sentir que meus monólogos interiores e pensamentos – sejam sobre algum enigma filosófico, alguma questão social ou qualquer tipo de insight – estão perfeitamente maduros, coerentes e desenvolvidos.

Mas toda esta convicção, toda esta aparência de ter idéias profundas, vai por água abaixo assim que sento pra escrever as “brilhantes idéias” que tive em puro pensamento. De repente, os vazios aparecem, as contradições ficam evidentes, as peças não encaixam tão bem. E o texto é um parto pra sair.

E aí, para que a coisa aconteça, é preciso alguma pesquisa, pesados raciocínios, revisões e revisões, cada uma mirando um aspecto da idéia: coerência, moderação, compatibilidade com o que já se disse antes, presença de exageros ou bobagens, etc.

Claro, depois de todo este exercício, afinal já se tem uma boa idéia – de verdade – do ponto em questão!

=)

Agora, se eu não me preocupasse em escrever, continuaria sempre com a sensação intuitiva de que, sim, eu já havia compreendido perfeitamente bem a idéia que tinha em mente.

Quem não escreve fica sobrando nessa.

E, bem… não há como suavizar esta dura verdade. =\

Você não escreve?

Azar, amigo. Se f*****

Anúncios

4 Respostas to “Escrever é F*** O Valor de Escrever”

  1. Jonatas Says:

    É isso aí… hehehe

  2. Jonatas Says:

    Por falar nisso, acho que seria interessante além de aumentar a inteligência de transhumanos aumentar sua disposição de pensar e de trabalhar. Preguiça é um obstáculo muito grande.

  3. Thiago Says:

    Olá amigos,

    Como havia prometido, estou à postar minhas observações no seu “wordpress” para iniciar nosso intercâmbio de idéias.
    Registrar as idéias que se tem, de fato, não é só bom para perceber e desfazer os nós em nossas concepções, como também para que não corramos o risco de perde-las de vista. Não lembro quantas vezes fiquei nervoso comigo por não conseguir lembrar uma idéia que, num momento inicial julguei boa, mas que não desenvolvi.
    Lembro (mais ou menos) de uma citação de Schopenhauer, que li há alguns anos, onde ele compara uma idéia inicial a uma noiva à qual prometemos casamento. Se não nos comprometermos logo (escrever ou casar no caso da noiva), ela pode não querer esperar por muito tempo e nos deixar subtamente… Achei uma boa analogia!

  4. Paralelo Says:

    Jonatas,

    nem me diga! Preguiça é terrível! E sou uma grande vítima dela. Envergonho-me ao concordar com Darwin dizendo:

    “Um homem que ousa desperdiçar uma hora ainda não descobriu o valor da vida.”

    *****

    Thiago,

    eu sei que já perdi pelo menos duas ideias realmente geniais (digo, segundo meu padrão, rs… das melhores que eu já tive) por simplesmente não anotá-las. ¬¬

    Imagine-se Einstein pensando em E = mc² e, antes de anotar, resolve “só” concluir os relatórios de patentes do dia!

    E… Schopenhauer sempre ótimo, rs.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: