Estamos em uma Realidade Virtual!

Estava, agora mesmo, passando pela centésima quarta página do famosamente assombroso A Essência da Realidade, do físico teórico e-claramente-mais-que-isto David Deutsch. De fato, este era um livro que eu queria ler há mais de dez anos. O original em inglês, The Fabric of Reality, assustou até Richard Dawkins! Finalmente achei a versão nacional em um sebo – rara, me custou 90 paus!

Pois bem!

Deutsch, de forma não proposital (pois na verdade o objetivo dele, igualmente louco, mas diferente, é nos convencer da existência de um universo paralelo para cada possibilidade física), praticamente me convenceu de que estamos numa realidade virtual, ou de que há uma razão fortíssima pra desconfiarmos disto.

Ele falava, mais ou menos, sobre a situação epistemológica de um ser que estivesse aprisionado numa simulação de xadrez – que fosse, digamos, o Rei. O que ele poderia saber? Em tese, só poderia conhecer as “leis da física” do xadrez, isto é, as regras do xadrez. Mas Deutsch nos diz que esse Rei também poderia saber que as regras do xadrez, sozinhas, não explicam sua própria inteligência e percepção do xadrez. Logo, o Rei poderia deduzir que aquele “mundo xadrez” necessariamente faz parte de um mundo mais amplo, um mundo cujas regras possam explicar as capacidades do próprio Rei.

Deutsch pára aí.

Mas então eu pensei: “eeeeeiii!!! E as leis da física do nosso mundo, explicam nossas capacidades?!”

Como estou persuadido de que as leis da física, pelo menos do modo como são hoje entendidas, não podem explicar sobremaneira a mente e a consciência (mesmo Dennett, o maior defensor da ideia contrária, admitiria que não fazemos ideia dos detalhes), pensei que estamos na situação do Rei! Nosso “mundo físico” deve ser uma simulação, e o mundo real deve ser tal que suas leis e regras expliquem confortavelmente a existência de nossa mente e consciência – que, por ora, estão dentro desta realidade virtual.

E, pensando mais, isto nos dá até uma diferenciação satisfatória e clara entre “mundo real” e “mundo virtual” – sendo o mundo real aquele que explicar, em sua base, a relação sujeito-realidade.

Como diz Deutsch, descobrir algo desta natureza não seria nenhum escândalo: se trataria apenas de descobrir que estivemos estudando, até agora, uma parte menor da realidade do que pensávamos – o que se deu em praticamente todos os avanços da compreensão científica.

* Parece louco? Bom, vim postar no impulso! 🙂

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Uma resposta to “Estamos em uma Realidade Virtual!”

  1. Greg Says:

    Chego por estas questões através de outros autores, como Kant. Elas envolvem problemas complexos, que exigem um grande esforço intelectual para serem examinados com o devido rigor.

    Vou pensar um pouco no assunto e comento algo em breve.

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