Suástica Azul – Por que este nome?

Como ando sem tempo para atualizar o site e mesmo postar no blog (aliás, sem tempo para internet em geral), este é um ótimo post para pendurar por um tempo aqui. Repostado de uma pergunta que me fizeram no formspring.me.

O nome “Suástica Azul” é, basicamente, fruto de duas influências marcantes em minha adolescência, e até hoje: Louis Pauwels, no livro O Despertar dos Mágicos, e Carl Sagan, no livro Pálido Ponto Azul.

O “azul” é fácil de explicar: a cor do céu. A cor do planeta. A cor pela qual, segundo Carl Sagan, sentimos afeição natural, graças aos milhões de anos em que nossa espécie evolui sob este céu. A cor que inspira horizontes infinitos. Sobretudo, a cor que desafia nacionalismos. Diz Carl Sagan:

A cor do céu caracteriza o mundo. Joguem-me sobre qualquer planeta do Sistema Solar; sem sentir a gravidade, sem olhar para o solo, somente com uma rápida olhada para o Sol e o céu, acho que posso lhes dizer com bastante acerto onde estou. Esse tom familiar de azul, interrompido aqui e ali por nuvens brancas felpudas, é uma assinatura do nosso mundo. Os franceses têm uma expressão, ‘sacré-bleu!’, que numa tradução aproximada seria “Céus!”. Literalmente, significa “azul sagrado!”. Sem dúvida. Se houver algum dia uma verdadeira bandeira da Terra, essa deverá ser a sua cor.

Quanto à “suástica”, O Despertar dos Mágicos dela diz uma série de coisas que me cativaram:

Na Europa, como na Ásia, a suástica foi sempre considerada um signo mágico. Viram nele o símbolo do Sol, fonte de vida e de fecundidade, ou do trovão, manifestação da cólera divina, que é necessário esconjurar. Ao contrário da cruz, do triângulo, do círculo ou do crescente, a suástica não é um símbolo elementar que possa ter sido inventado e reinventado em qualquer época da humanidade e em todos os pontos do globo com uma simbólica sucessivamente diferente. É o primeiro signo traçado com uma intenção precisa.

Atente sobretudo para a última frase. Ela tira-me o fôlego! Pauwels salienta que o formato da suástica possui design. Ela já é uma versão, em pequena escala, do que ocorre com uma equação matemática, ou com um relógio: é algo que sabemos ser criação deliberada de uma inteligência, e não algo simples e casual. Isto fez com que a suástica simbolizasse, para mim, precisamente a inteligência – e o “ao contrário da cruz” da citação me cativou ainda mais, naquela adolescência ateísta (ainda mais) rebelde.

Ainda há uma segunda passagem no livro, que trata de possíveis significados embutidos na estrutura dos símbolos. “Os símbolos talvez sejam os modelos abstratos, estabelecidos desde as origens da humanidade pensante, a partir dos quais as estruturas profundas do Universo nos poderiam ser sensíveis”. Sim, isto soa insano. É um livro sobre realismo fantástico. Hoje, totalmente cético, eu já me distanciei bastante de tais especulações desvairadas. No entanto, a poesia e o encanto da coisa continuam. Vejamos: após falar sobre Einstein ter desenhado o símbolo γ (triedo) para referir as relações do espaço-tempo, Pauwels especula que então a suástica talvez seja o “modelo” da lei que preside a toda destruição. E, tudo bem… Isto de “destruição” não é um bom cartão de visita para o site. Mas, outra vez, o que me impactou foi mais geral: não importa se a suástica é o modelo da destruição ou se a espiral é o modelo da evolução (como ele também diz); o que importa é a própria ideia cativante de um símbolo, em sua simples estrutura, poder portar significados tão vastos, vinculados à estrutura do Universo, da Realidade. E como era sobretudo da suástica que o autor estava falando, foi ela que me impressionou, dessa vez, como um símbolo da ideia geral de Pauwels, isto é, um símbolo de alguma “das estruturas profundas do Universo” – e também por isso, há coisa de um ano, eu fiz a suástica do site se assemelhar mais a uma galáxia (além do que, espiralada). Fato: a suástica me marcou na leitura desse livro.

Ainda hoje acho tudo isto cativante. Na adolescência, sendo O Despertar dos Mágicos o meu terceiro livro, tudo soava ainda mais romanesco e grandioso.

No fim das contas, “Suástica Azul” era um nome original, com um significado belo e obscuro (pra não dizer oculto), com uma sonoridade bonita e, não menos importante, com o casual ‘extra’ de ter um impacto polêmico e marcante (por conta da óbvia associação sempre feita, da qual estou prestes a falar).

Obviamente acabei de explicar as razões “etimológicas” do nome.

Mas o fato de a suástica ser irracionalmente perseguida pela associação arbitrária com o nazismo, apesar de seus milênios de independência contra meio século de uso político; e apesar de, seja como for, não passar de um símbolo; é, em si mesmo, uma razão extra para eu adotá-la. Sou essencialmente contra o moralismo, mais ou menos como Bertrand Russell e George Orwell também o eram – “ortodoxia é não pensar”. E, portanto, gosto de desafiar aquelas pessoas (moralistas) que são incapazes de olhar para a suástica e dissociá-la do nazismo. Esta incompetência, afinal, é reveladora do tipo de intolerância moralista que eu desprezo – como se fizesse sentido proibir cruzes, por causa da Santa Inquisição; ou proibir pentagramas, por causa da bruxaria. É tudo idiotice, a meu ver. Se uma pessoa tem um mal-estar irracional ao ouvir “Suástica Azul”, mesmo sabendo que isto nada tem a ver com nazismo, então o problema deve ser dela, e não meu.

O enigmático título “Suástica Azul”, portanto, carrega nos horizontes infinitos do azul celeste a ideia de humanismo, de aventura, de liberdade, de busca pelo desconhecido; e carrega na precisão, na estrutura e na casual polêmica da suástica os sinais de inteligência, de vastidão cósmica e de aversão ao dogmatismo. Dogmatismo, aliás, do qual o nazismo foi um dos exemplos mais enojantes – outra das tantas óbvias razões pelas quais, se é que resta dúvida, (é claro que) eu desprezo o nazismo.

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